
“Creation is an act of sheer will” — A criação é um ato de pura vontade.
Hoje trago como ponto de partida essa frase que ouvi em um filme que vi tempos atrás — Jurassic Park 1, em que o criador do parque, John Hammond, diante do desastre que foi a pré-avaliação do parque ainda insiste em acreditar no projeto, terminando por declarar "da próxima vez não haverá falhas" - "". Ela me chamou atenção, pois, quantas vezes no processo de criação — o qual é uma forma de aprendizagem — essa ideia parece fazer muito sentido. Ainda assim, o conceito de vontade pode soar um pouco reducionista, afinal, existem diversos fatores biológicos, psíquicos, sociais e espirituais que podem influenciar a nossa disposição.
Nesse processo criativo, seja escrevendo, montando algo ou estudando sobre algum assunto, nos defrontamos com desafios e dificuldades. As ideias que nos empolgaram parecem não ter mais sentido; outras surgem e não parecem se encaixar, até que nos sentimos frustrados. Fizemos tanto, estudamos tanto, e os resultados satisfatórios não chegam. Frustração.
Diversos humores nos assolam: tristeza, raiva ou até mesmo o medo de não conseguir. Surgem ideias conflitantes e limitadoras, que impedem uma compreensão mais ampla do processo criativo. É possível, sim, termos feito algo de errado, tomado decisões ruins ou até mesmo encarado de frente a limitação do nosso conhecimento. Tudo isso pode eliciar diferentes atitudes diante do nosso projeto.
Podemos desistir totalmente — seja por cansaço, por não ver mais sentido em insistir ou por termos encontrado uma opção melhor. Podemos também lidar de forma relutante: mesmo sem desistir, a insistência ocorre com pouca confiança, ainda que haja sentido e propósito naquilo a que nos propusemos.
Mas há momentos em que, mesmo sofrendo frustrações, ainda vemos sentido e tentamos de formas diferentes.
O que há de diferente nessa última postura? Ela parece ser mais consciente diante da dificuldade e, com uma atitude confiante, reelabora e reestrutura ideias e ações. Nesse processo, podemos olhar para nós mesmos com honestidade e pensar: o que é minha responsabilidade? No que eu tenho controle e no que eu não tenho? Será que há alguma condição limitante além da minha vontade (ou disposição,desejo e anseio) de criar? Reavaliar posições e caminhos acaba sendo indispensável.
O conceito de vontade às vezes pode causar certa confusão, afinal, a intensidade de nosso desejo pode não ser a única determinante para a realização de nossos objetivos. Entretanto, creio que essa reflexão possa contribuir para estarmos mais conscientes sobre este aspecto de nossa vida.
Não é um processo fácil e acaba valendo para todos os aspectos da vida, até porque escolher um bom ofício ou uma pessoa para se relacionar demanda essa atitude consciente. A psicoterapia pode — e deve — ajudar quando nos encontramos em uma encruzilhada e a vida parece estar estagnada. Um profissional é uma escuta atenta, disposta a pensar junto com você quais podem ser os melhores caminhos a seguir.
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