top of page

Além do cansaço: burnout, gênero e a sobrecarga invisível das mulheres

May 5, 2026

Milena Schmitt Moura

00:00 / 01:04
Autoconhecimento

Ouça esse artigo usando o player acima.

  • Texto em 4 linhas

  • ​Texto em 4 linhas

  • ​Texto em 4 linhas

  • Texto em 4 linhas

image_edited.png
Terappia Logo

O burnout costuma ser compreendido como consequência direta do excesso de trabalho. Embora essa leitura não esteja errada, ela é insuficiente. Quando observamos mais atentamente quem está adoecendo e como esse sofrimento se manifesta, percebemos que o esgotamento não se distribui igualmente.

 

Vivemos em uma sociedade marcada pela produtividade, pela aceleração e pela exigência constante de desempenho. O filósofo Byung-Chul Han descreve esse cenário como uma sociedade do desempenho, na qual o sujeito passa a explorar a si mesmo em nome da produtividade contínua. Maria Rita Kehl, por sua vez, aponta como esse modo de vida produz sofrimento psíquico e transforma a exaustão em um sintoma social da contemporaneidade. O descanso passa a ser visto como improdutividade, enquanto o fracasso é frequentemente interpretado como responsabilidade individual. Nesse contexto, o sujeito contemporâneo é convocado a funcionar o tempo todo.

 

No entanto, essa lógica não incide sobre sujeitos neutros. Mulheres historicamente ocupam o lugar do cuidado, da manutenção da vida e da gestão emocional das relações. A teórica Heleieth Saffioti demonstra que essa desigualdade não é apenas cultural, mas estrutural, sustentada pela articulação entre patriarcado e capitalismo. Silvia Federici também evidencia como o trabalho reprodutivo e de cuidado, realizado majoritariamente por mulheres, permanece invisível e desvalorizado, apesar de ser fundamental para a manutenção da vida social. Mesmo após sua inserção massiva no mercado de trabalho, essas responsabilidades não desapareceram. Elas apenas se acumularam.

 

A sobrecarga feminina não está apenas na quantidade de tarefas executadas, mas também no trabalho invisível que sustenta o cotidiano: lembrar, organizar, antecipar, acolher, evitar conflitos e manter vínculos funcionando. Trata-se de um trabalho emocional frequentemente naturalizado e pouco reconhecido.

 

Na clínica, isso aparece como culpa, perfeccionismo e sensação constante de insuficiência. Enquanto isso, Rosalind Gill contribui para compreender como a autoexigência contemporânea é internalizada, fazendo com que mulheres se tornem constantemente vigilantes de si mesmas. Joan Rivière já apontava, na psicanálise, como a feminilidade pode operar como uma performance marcada pela necessidade de adaptação e validação. Muitas mulheres relatam exaustão acompanhada da impressão de que ainda deveriam conseguir fazer mais. O sofrimento não surge apenas do excesso de demandas, mas também da impossibilidade subjetiva de se autorizar a parar.

 

Além disso, relações afetivas podem se tornar mais um espaço de desgaste. A bell hooks discute como mulheres são frequentemente socializadas para sustentar emocionalmente os vínculos, assumindo o trabalho emocional das relações. Ademais, precisamos ampliar essa discussão ao problematizar a responsabilização histórica das mulheres pelo cuidado e pela manutenção da vida afetiva e familiar. Mulheres frequentemente assumem a função de sustentação emocional dos vínculos, tornando-se responsáveis pela escuta, mediação de conflitos e manutenção da estabilidade relacional.

 

Nesse cenário, o burnout não pode ser reduzido a um problema individual ou a uma falha de adaptação. Ele também expressa os limites de uma organização social que distribui de forma desigual o trabalho, o cuidado e a responsabilidade emocional.

 

Talvez seja justamente isso que o burnout revela: não apenas corpos cansados, mas formas de vida que se tornaram insustentáveis.

 

Você se identificou com esses sentimentos de culpa, cansaço e sobrecarga? Bom, você não está sozinha, venha falar sobre isso e reescrever uma vida possível e com sentido para VOCÊ!

 

Abraço,

Milena Schmitt Moura,

Psicologa clínica e social | CRP 07/41927

 

<3

Quem sou eu?
Image-empty-state.png
perfil_verificado_logo-removebg-preview.png

Ana Patricia Ferreira de Melo

CRP:

botao-whatsapp.png

11/26134

average rating is 3 out of 5, based on 0 votes, Avaliações

Atendimento:

Online

Sou Ana Patrícia, psicóloga, e acredito que cada pessoa precisa ser acolhida de forma única, respeitando sua história, suas necessidades e seu momento de vida. Minha atuação é pautada na escuta qualificada, no acolhimento e na ética profissional, buscando construir com cada cliente um espaço seguro, onde ele possa se sentir ouvido e compreendido.

Através da Terapia Cognitivo-Comportamental, trabalho auxiliando o cliente a compreender a relação entre seus pensamentos, emoções e comportamentos, desenvolvendo estratégias que possam contribuir para uma rotina mais saudável e para o enfrentamento de suas dificuldades. Também possuo experiência com intervenção ABA, o que ampliou minha capacidade de observar comportamentos, estabelecer objetivos e acompanhar a evolução de cada pessoa de maneira individualizada.

Meu objetivo é oferecer um atendimento humanizado, responsável e personalizado, contribuindo para que cada cliente se sinta respeitado, acolhido e capaz de desenvolver novos recursos para lidar com seus desafios

Valor da Sessão / Tempo de duração

R$ 40,00

/

40 minutos

Latest posts by this Therapist

Admitir que tem medo exige mais coragem do que fingir que não tem.

Arthur Almeida Caram Andre

Sep 11, 2026

Admitir que tem medo exige mais coragem do que fingir que não tem.

Conhecer a si mesma é um ato de coragem.

Ana Patricia Ferreira de Melo

Sep 11, 2026

Conhecer a si mesma é um ato de coragem.

Tenho medo de mudar e acabar piorando tudo

Débora Tatiany de Oliveira

Sep 11, 2026

Tenho medo de mudar e acabar piorando tudo

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Bandeiras com todos os cartões de créditos aceitos como forma de pagamento para o Terappia

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Technical Manager:
Alex B. de Souza
CRP: 05/36638

Important: Terappia is not a website for people in suicidal crises. For this type of service, we recommend accessing the CVV – Centro de Valorização da Vida website at: www.cvv.com.br.

© Copyright
1-removebg-preview.webp

Terappia - All rights reserved - CNPJ: 49.216.775/0001-98

Av. Paulista, 1636 - Cerqueira César, São Paulo - SP CEP: 01310-200
E-mail: terappia@terappia.com.br Telefone: +55 (21) 99985-0091
© 2020-2024

Terappia - All rights reserved - CNPJ: 49.216.775/0001-98

Av. Paulista, 1636 - Cerqueira César, São Paulo - SP CEP: 01310-200
E-mail: terappia@terappia.com.br Telefone: +55 (21) 99985-0091
© 2020-2024

bottom of page