
Tem uma cena que se repete. A pessoa está sentada, aparentemente parada, e por dentro o corpo inteiro já saiu correndo. O coração acelera, a respiração encurta, a barriga fecha. E ela me diz, quase pedindo desculpa: "não tem motivo, eu sei que é bobagem, é só ansiedade".
Reparou na palavra "só"? É ela que me interessa.
A gente aprendeu a tratar a ansiedade como um defeito. Um barulho no sistema, um erro de fábrica, algo a ser silenciado o mais rápido possível. E aí toda a energia vai para tentar fazê-la calar a boca. Respira, distrai, racionaliza, medica se precisar. Tudo legítimo em algum grau. Mas repara no que está por baixo dessa pressa toda: a suposição de que a ansiedade não tem nada a dizer.
A fenomenologia, e antes dela alguns filósofos existenciais, viram a coisa de outro jeito. Para Kierkegaard, a angústia era a vertigem da liberdade. Pensa em alguém parado na beira de um penhasco. O que dá aquele frio na barriga não é só o medo de cair. É a consciência aterrorizante de que você poderia se jogar. De que existe uma possibilidade ali, e ela depende de você. A vertigem não é do abismo. É da liberdade de escolher diante dele.
A ansiedade funciona parecido. Ela quase sempre aparece num ponto onde algo importa e o futuro está aberto. Uma decisão que você adia. Uma conversa que você não tem. Uma vida que poderia ser diferente e você sabe disso. O corpo, que é mais honesto que a gente, já antecipa esse futuro. Ele dispara como se a coisa estivesse acontecendo agora, porque para o corpo a possibilidade já é real.
Gosto de pensar na ansiedade como excitação sem fôlego. A energia da vida querendo acontecer, mas sem o suporte da respiração, sem o chão embaixo dos pés. Não é uma força estranha invadindo você. É a sua própria vitalidade, presa, sem para onde ir. Por isso silenciar a ansiedade à força raramente resolve. Você não está desligando um defeito. Está abafando um recado.
E qual é o recado? Quase sempre é sobre tempo e possibilidade. A ansiedade te puxa para um futuro que ainda não chegou e te prende lá, ensaiando catástrofes, vivendo antecipadamente o que talvez nem aconteça. Ela é, no fundo, uma relação tensa com aquilo que ainda não é. Com o que depende de você. Com a liberdade que assusta justamente porque é real.
Isso não quer dizer que você deva amar a ansiedade nem que ela nunca passe do ponto. Quando ela toma conta, vira sofrimento que precisa de cuidado, às vezes de medicação, e isso é sério. Mas mesmo no cuidado, a pergunta muda. Em vez de "como faço isso parar?", a gente pergunta "o que essa ansiedade está tentando me mostrar sobre como eu me relaciono com o que ainda não decidi viver?".
Trocar a guerra pela escuta não tira o desconforto na hora. Mas muda quem você é diante dele. Você deixa de ser refém de um inimigo invisível e passa a ser alguém conversando com a própria vitalidade. É um começo diferente. E começos diferentes mudam o resto do caminho.
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Jose Rodrigo de Sousa do Carmo
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Se você chegou até aqui, talvez esteja vivendo um momento em que as coisas ficaram mais difíceis de administrar sozinho.
A psicoterapia pode ser um espaço de acolhimento, escuta e construção de novas formas de lidar com pensamentos, emoções e situações que estão causando sofrimento.
Meu trabalho é baseado na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), uma abordagem estruturada que busca compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, ajudando você a desenvolver estratégias mais funcionais para enfrentar suas dificuldades.
Atendo adultos e casais, de forma online, com um atendimento individualizado, ético e acolhedor.
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Se sente que este é o momento de cuidar melhor de você, estou à disposição para conversarmos e avaliarmos juntos como a psicoterapia pode ajudá-lo.
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