
Todos nós somos seres atravessados por sentimentos que, muitas vezes, não conseguimos controlar. Faz parte da condição humana experimentar uma diversidade de emoções: alegria e tristeza, raiva e compaixão, inveja e admiração, entre tantas outras. Sentir é inevitável; mesmo quando tentamos ignorar ou reprimir uma emoção, ela continua existindo dentro de nós, pedindo espaço. Não há nada de errado em sentir o que sentimos — pelo contrário, é justamente a capacidade de sentir que nos torna humanos.
Apesar disso, algumas emoções costumam ser vistas de forma negativa ou até mesmo condenadas socialmente, como a raiva e a inveja. Quando crescemos ouvindo que certos sentimentos são “errados”, tendemos a escondê-los ou reprimi-los. O problema é que, ao negar o que sentimos, não eliminamos a emoção — apenas a empurramos para dentro de nós. Mais cedo ou mais tarde, aquilo que foi guardado pode transbordar de forma intensa e descontrolada.
Tomemos a raiva como exemplo: se ela é reprimida por muito tempo, pode se manifestar contra o próprio indivíduo ou com os outros. Em alguns casos, a energia da raiva se volta contra a própria pessoa, aparecendo em sintomas físicos ou psicológicos, como automutilação, autodepreciação ou doenças psicossomáticas. Em outros casos, a raiva é descarregada contra alguém próximo ou contra pessoas em posição vulnerável, o que prejudica os relacionamentos e cria situações injustas, especialmente quando o outro nada tem a ver com a origem daquele sentimento.
Ignorar um sentimento também nos impede de compreender sua verdadeira raiz. Se não buscamos entender por que determinada emoção surgiu, acabamos direcionando-a ao primeiro alvo que aparece diante de nós, o que aumenta a confusão e o sofrimento. Por isso, mais importante do que tentar evitar um sentimento é aprender a reconhecê-lo, acolhê-lo e transformá-lo em algo que possa ser vivido de maneira saudável.
Todos os sentimentos, em algum momento, precisam encontrar uma forma de catarse — uma via de expressão. Quando aceitamos a existência de uma emoção, entendemos de onde ela vem e deixamos de temê-la. Nesse processo, ganhamos liberdade para escolher como canalizar o que sentimos. Esse processo é chamado de sublimação. Se a raiva surge, por exemplo, podemos direcioná-la para uma atividade física, como uma aula de luta. Se a tristeza se manifesta, podemos encontrar alívio em um filme comovente e permitir que as lágrimas rolem. Assim, em vez de sermos prisioneiros das emoções, transformamo-las em experiências de autoconhecimento e crescimento.
A psicoterapia é um espaço para esse trabalho. No consultório, todos os sentimentos são bem-vindos. O paciente é encorajado a falar sobre eles sem medo de julgamento, descobrindo novas maneiras de lidar com suas emoções e ressignificando experiências que, muitas vezes, carregava em silêncio. Reconhecer, sentir e elaborar os próprios afetos é um caminho não apenas para aliviar o sofrimento, mas também para viver de forma mais autêntica e inteira. E você, como tem experienciado as suas emoções?
Geovanna Moreira Bastos | Psicóloga e psicanalista - CRP 01/30116
Meu perfil no Terappia: www.terappia.com.br/psi/Geovanna-Moreira-Bastos
#terapia #psicologia #psicoterapia #sentimentos #emoções





