
"VOCÊ FEZ PORQUE VOCÊ QUIS,
EU NÃO TE PEDI NADA."
E se ao invés disso, fosse:
"Você quis fazer isso? Gostaria de conversar sobre as nossas expectativas."
Na comunicaçao não violenta (CNV) e na Gestalt-terapia, a comunicação é entendida como uma experiência de contato com aquilo a ser transmitido e para com quem o sujeito está se comunicando (o outro).
A comunicação tem tom, ritmo e corporeidade 🤌🏽 (@psi.leomartins_)
Quando se diz que a palavra tem força, é porque ela tem o poder de nomear, significar e expressar a experiência do sujeito.
Palavras transmitem significados e ativam redes semânticas, memórias afetivas e respostas emocionais diferentes.
Nesse contexto, frases de ruptura criam um afastamento afetivo e frases de abertura dão espaço para entendimento e conexão.
As frases de ruptura geram resistência, culpa e defensividade no interlocutor, fechando o campo relacional.
Caracterizam-se pelo julgamento, acusação ou generalização, bloqueando o reconhecimento do interlocutor e a mensagem que realmente precisa ser transmitida.
Exemplo:
"Você não liga pra mim,
está sempre ocupado!"
E se ao invés disso fosse:
"Eu sinto falta de ter mais tempo com você, porque sua presença me faz bem, mas não estou conseguindo te perceber disposto/disponível."
Essa é uma frase de abertura, pois convoca disponibilidade, reforça o valor do vínculo e expressa o real desconforto, a real intenção.
A comunicação não é apenas sobre O QUE SE DIZ, mas principalmente sobre COMO SE DIZ. Portanto, a comunicação tem uma dimensão ética e também revela como o sujeito se coloca no campo relacional.
Uma relação ganha mais valor quando a comunicação é autêntica e congruente, ou seja, quando o que é dito corresponde ao que realmente está sendo sentido e vivido naquele momento. Quando locutor e interlocutor conseguem transmitir a necessidade, a expectativa, o desejo ou o desconforto responsabilizando-se em não objetificar, julgar, acusar ou generalizar o outro.
Isso também está relacionado ao consentimento. Con-sentir é comunicar-se com autenticidade e presença. E para isso precisamos de uma comunicação que faça abertura para o sentir no ato de concordar, escolher e decidir com liberdade e autonomia.
Exemplo:
"Posso te dar um abraço?"
E se ao invés disso fosse:
"Você quer um abraço?"
A primeira frase convoca no interlocutor uma autorização (poder) sobre o locutor.
A segunda convoca uma decisão (querer) do interlocutor com mais espaço para autonomia e escolha.
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Dica de leitura: Eu e Tu (Martin Buber, 1923)





