
A síndrome do pânico não é só sobre o que aparece no corpo, como falta de ar, coração acelerado ou a sensação de que algo muito ruim vai acontecer. Esses sinais costumam ser a forma mais visível de algo interno que já vinha sendo sentido há um tempo, mas que não encontrou espaço para ser compreendido ou colocado em palavras. Por isso, muitas vezes, a crise surge de forma repentina, dando a impressão de que veio “do nada”.
Na maioria dos casos, não é que não exista um motivo, mas sim que esse motivo não está claro para a própria pessoa. São sentimentos, medos, pressões ou experiências que foram sendo acumuladas e que, em algum momento, acabam transbordando. Como não foram elaborados, aparecem de forma intensa no corpo, como se fosse um alerta.
Quando a crise acontece, a tendência é tentar controlar ou evitar a todo custo, o que é compreensível, já que a sensação é muito angustiante. Mas, ao focar apenas em “fazer parar”, muitas vezes se perde a chance de entender o que está por trás disso. Aos poucos, pode ser importante começar a observar em quais momentos isso aparece, o que estava acontecendo antes, o que você estava sentindo ou evitando sentir.
Lidar com isso não significa eliminar a ansiedade completamente, mas aprender a se aproximar dela com mais consciência. Criar um espaço interno para reconhecer emoções, entender limites e perceber o que está sendo exigido de você no dia a dia pode ajudar a reduzir a intensidade dessas crises.
Esse é um processo que leva tempo e exige cuidado. Com apoio profissional, é possível ir construindo formas mais saudáveis de lidar com essa angústia, fazendo com que ela não precise mais aparecer de maneira tão intensa. Aos poucos, o que antes vinha como pânico pode começar a ser entendido, nomeado e sustentado de outra forma.
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