
A depressão, sob uma visão existencialista, é mais do que um transtorno psicológico; ela é um sinal profundo do confronto do indivíduo com a condição humana e o sentido da existência. Revela-se como um momento em que se sente intensamente a ausência de sentido e a dificuldade de se relacionar com o próprio ser e com o mundo. É como se o tempo perdesse sua fluidez natural, e a pessoa se encontrasse em um ponto onde o passado pesa, o futuro parece incerto e o presente se torna um espaço de estagnação ou angústia. Essa experiência, silenciosa e intensa, mostra o quanto a existência pode parecer distante e desprovida de um rumo claro.
A depressão emerge da experiência da angústia existencial, da percepção de um vazio interior e da dificuldade de encontrar propósito diante da liberdade e do absurdo da vida. É um momento em que a pessoa se depara com seu próprio “não-saber” e com a falta de um sentido pré-estabelecido, o que pode gerar um sentimento de desamparo, solidão e desespero.
No entanto, o existencialismo também aponta para a possibilidade de transformação. Essa crise pode ser um convite para o indivíduo assumir sua liberdade de maneira consciente, construir seu próprio sentido e valorizar o passo de se reinventar, mesmo diante da falta de garantias externas. Assim, a luta contra a depressão pode ser entendida como uma jornada de autoconhecimento e de busca por autenticidade, onde o enfrentamento da condição humana vulnerável se torna um caminho de liberdade e criação pessoal.
É justamente nesse momento que a terapia encontra um papel crucial. O processo terapêutico pode ser entendido como um espaço em que o indivíduo é convidado a reencontrar sua existência, a dar nome às suas angústias e a explorar as múltiplas possibilidades de construir sentidos próprios. Mais do que buscar um "remédio" para eliminar a dor, a terapia oferece uma companhia na jornada de autoconhecimento, permitindo que a pessoa reconheça sua liberdade e, gradativamente, reconquiste o equilíbrio para protagonizar sua própria vida.
Essa caminhada, embora desafiadora, propicia que cada um possa sair do estado de quietude forçada para um movimento ativo de escolha e criação, mesmo diante das incertezas que marcam a condição humana. Assim, entende-se a depressão não apenas como um sofrimento a ser superado, mas como uma profunda chamada para o encontro consigo mesmo e a possibilidade de viver com mais autenticidade.





