
É estranho como, muitas vezes, esperamos que a primeira tentativa já venha com acerto, clareza, validação. Como se houvesse um jeito certo de começar. Como se errar fosse um sinal de fracasso — e não de tentativa.
É comum ver como o medo de errar paralisa. A ansiedade frente ao novo, o receio da comparação, o peso de não corresponder ao que esperam (ou ao que a gente acha que esperam). O medo do fracasso pode sufocar nossa criatividade e nos afastar da possibilidade de descoberta. E, nesse sentido, o erro deixa de ser uma etapa e passa a ser um obstáculo — quando, na verdade, ele faz parte do processo. Desde cedo, aprendemos a temer o julgamento, a falha, a crítica. E assim, deixamos de tentar.
E quando o erro acontece, vem junto outro peso: a culpa. A sensação de que poderíamos ter feito diferente, de que decepcionamos alguém ou a nós mesmos.
Mas lidar com isso também é um processo. Um exercício diário e gentil de reconhecer que errar não nos faz menos capazes. E que, aos poucos, é possível construir um novo jeito de se relacionar com o erro: menos punitivo, mais compreensivo.
Nem tudo precisa nascer pronto. Nem você.
Errar pode ser um sinal de que você está se movimentando, experimentando um jeito seu de existir no mundo.
A imperfeição não é um desvio. É o caminho inteiro — com tropeços, aprendizados, recomeços e erros.
Emille Macedo Braga | Psicóloga | CRP 03/32442





