
O “e se…” não é uma previsão
“E se eu fracassar?”
“E se ele me abandonar?”
“E se eu perder o controle?”
“E se tudo der errado?”
Quantas vezes você já sofreu por uma situação que ainda nem aconteceu? A mente começa a criar vários cenários, o corpo reage como se o perigo fosse real e, quando você percebe, já está ansiosa, angustiada ou tomando decisões no impulso.
Para quem convive com borderline ou bipolaridade, esses pensamentos podem ganhar ainda mais força nos momentos de instabilidade emocional. O medo da rejeição, do abandono, da perda ou de não conseguir suportar determinada situação pode fazer uma possibilidade parecer uma certeza.
Na TCC, trabalhamos a identificação desses pensamentos automáticos. A pessoa aprende a observar o que está pensando, avaliar quais fatos realmente sustentam aquela ideia e construir uma forma mais equilibrada de enxergar a situação. Não se trata de pensar positivo, mas de não tratar o medo como verdade.
Na DBT, desenvolvemos habilidades para reconhecer a emoção, diminuir sua intensidade e evitar atitudes impulsivas. Trabalhamos atenção plena, tolerância ao mal-estar, regulação emocional e a capacidade de verificar os fatos antes de agir.
No dia a dia, quando o “e se…” aparecer, tente perguntar:
“Isso está acontecendo ou é algo que minha mente está imaginando?”
“Quais fatos eu tenho?”
“O que está sob meu controle neste momento?”
“Qual atitude pode me ajudar sem piorar a situação?”
Na terapia, esse processo é trabalhado aos poucos, respeitando a história e os limites de cada pessoa. Você aprende a reconhecer seus gatilhos, compreender suas emoções e escolher como agir, mesmo quando a mente tenta levar você para o pior cenário.
Você pode ter um pensamento sem precisar acreditar nele ou obedecer a ele. E aprender isso pode mudar a forma como você lida com suas emoções, seus relacionamentos e consigo mesma.
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