
Quantas vezes você já se pegou pensando em como falar, se comportar ou até se vestir para causar uma reação específica no outro?
Esse movimento é comum. Muitas pessoas acreditam que, se ajustarem o tom de voz, o jeito de se expressar ou até o silêncio, terão mais chances de serem admiradas, respeitadas ou aceitas.
Às vezes, isso até funciona. Mas tem um custo: a perda da espontaneidade.
Quando a busca por aprovação vira cobrança interna
O problema aparece quando, mesmo tentando “controlar” a forma como somos vistos, o resultado não sai como o esperado. É nesse momento que surgem pensamentos como:
- “Será que fui chato?”
- “Será que pareci inconveniente?”
- “Deveria ter agido diferente?”
Essas reflexões retrospectivas podem virar verdadeiras ressacas morais por coisas pequenas ou que, muitas vezes, nem aconteceram. A cobrança interna cresce, e a sensação é de inadequação.
A projeção é do outro, não nossa
A verdade é que não temos controle sobre a projeção que o outro faz de nós.
Podemos ser vistos como excelentes profissionais ou como iniciantes, como pessoas de confiança ou como qualquer um. E tudo isso depende muito mais da história, dos filtros e das experiências de quem nos olha do que de um esforço nosso em manter uma imagem perfeita.
Perceber isso pode causar certo desconforto no início. Afinal, perdemos a ilusão de controle. Mas, ao mesmo tempo, há algo de libertador nessa constatação: deixamos de carregar o peso de sustentar uma identidade artificial o tempo todo.
O valor da autenticidade
Na psicologia humanista e, especialmente, na Terapia Centrada na Pessoa, a autenticidade ocupa um lugar essencial. Não se trata de interpretar papéis ou buscar técnicas para impressionar. O que transforma um encontro terapêutico — e, muitas vezes, também as relações fora dele — é a possibilidade de estar presente como se é, do jeito que se pode ser.
Quando nos permitimos essa congruência, abrimos espaço para que o outro também se mostre de maneira mais verdadeira. É nesse ponto que surge o encontro humano genuíno.
Um convite para refletir
Você tem vivido tentando controlar como é visto ou tem se permitido aparecer de forma mais autêntica?
A resposta não precisa ser perfeita. É um processo, cheio de idas e vindas. Mas cada pequeno passo em direção à espontaneidade pode aliviar o peso das expectativas e abrir espaço para relações mais leves, honestas e significativas.
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Rodrigo Leite - Psicólogo - CRP 06/215645
11 93052-6271





