
Maternidade real: o luto da mulher que eu era antes
Durante muito tempo, o sonho de muitas meninas é encontrar o grande amor, casar, construir uma vida a dois, viver o sonho da “casinha” e, depois, tornar-se mãe. Quando esse sonho se concretiza, algo profundo acontece: nasce um bebê e, junto com ele, uma nova mulher.
Mas o que acontece com a mulher quando ela se torna mãe?
Quem ela passa a ser?
Em muitos momentos, ela deixa de ser chamada pelo próprio nome e passa a ser reconhecida apenas como “a mãe do beltrano”. Sua identidade se reorganiza. O estilo de se vestir muda, as músicas que antes faziam parte da sua história saem da playlist e dão lugar às canções infantis. A atenção que antes era direcionada ao companheiro agora se divide ou se concentra em um bebê que chega com demandas intensas, desconhecidas e inegociáveis.
E então surge uma pergunta silenciosa e, muitas vezes, culposa:
Onde está a mulher que eu era? Para onde ela foi?
Esse sentimento não diminui o amor pelo filho. Ele fala sobre perdas simbólicas, sobre lutos necessários e sobre a profunda transformação que a maternidade provoca. Ser mãe não apaga a mulher, mas exige que ela se refaça, se reconheça novamente e encontre novas formas de existir.
Talvez, agora mais do que nunca, seja hora de se transformar não para voltar a ser quem era antes, mas para construir quem se é hoje, integrando a mulher e a mãe, com mais cuidado, acolhimento e verdade.
Psicóloga Laís Beltrão
CRP 15/6618
Instagram: @psilaisbeltrao
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