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Por que ainda é difícil falar sobre o suicídio? A religião atrapalha?

Setembro amarelo: como podemos trazer um pouco de luz nesse tópico tão obscuro?

Sep 25, 2025

Maria Cecília Guarnieri

00:00 / 01:04
Saúde mental

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Setembro chega, tudo ganha tons de amarelo, campanhas pipocam nas redes, e o assunto "Prevenção do Suicídio" volta ao centro das atenções. Ainda assim, para muitos, suicídio continua sendo um espelho quebrado, algo difícil de encarar. As pessoas fecham os olhos, desviam o olhar, ou simplesmente não falam sobre isso. Essas reações pesam, para quem sofre, e para quem poderia ajudar.

 

Suicídio: um tabu persistente

Precisamos primeiro falar dos numeros. As estatísticas são fortes, mas pouco visíveis no cotidiano. No Brasil, estima‐se cerca de 14 mil suicídios por ano, o que dá uma média de 38 pessoas por dia. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio está entre as principais causas de morte, ficando atrás de acidentes, tuberculose e violência interpessoal. E não é só questão de número: há aumento em faixas etárias jovens no Brasil. Um estudo da Fiocruz com Harvard mostrou que de 2011 a 2022 houve crescimento de 6% ao ano na taxa de suicídio entre jovens, e 29% ao ano no registro de autolesões entre jovens de 10 a 24 anos. Esses dados são apavorantes, né? Principalmente porque geralmente não se divulga sobre suicídio como forma de proteção.

 

Mesmo com tanta gente encerrando suas vidas diariamente, muitas pessoas ainda se sentem sozinhas com suas dores, com seus pensamentos. O tabu persiste. Porque o julgamento e a invisibilidade pesa muito. Falar sobre o que não devia, que é egoísmo, que é fraqueza... A pessoa se cala, se encolhe e se paralisa.

 

O papel da religião: sombras, luzes e acolhimento

A religião aparece nessa conversa de várias formas. As vezes como barreira, como suporte, como rede e até como inimiga. Para muita gente, crenças religiosas trazem a ideia de que a vida é sagrada, que tirar a própria vida é algo errado ou pecado. Essas crenças podem aumentar o peso da culpa e da vergonha em quem sofre, fazendo com que ideias suicidas sejam escondidas, porque “não é algo que se fala”, “não é algo natural”. Uma pessoa em sofrimento emocional contínuo pode ser muito invalidada com falas como "é falta de fé", "não tem deus no coração", "é o diabo" dentre outras. Esconder pensamentos e sentimentos tão fortes como esses, podem piorar o quadro e fazer estragos na saúde mental e física de alguém. Reprimir e negar nunca será um bom caminho. Essas falas religiosas só atrapalham e pioram.

 

Por outro lado, religião pode ser um suporte também. Comunidades religiosas, fé, ritos, orações, pastor, padre, líder espiritual; tudo isso pode oferecer sentido, esperança, pertencimento. Pode ser um lugar seguro para dividir angústias. Em muitos casos, a fé ajuda a dar um norte, a ver que, mesmo entre as sombras, há possibilidade de amanhecer. Temos até alguns estudos que investigam religiosidade como fator de proteção. Um deles mostrou que, em jovens cristãos, fatores como religiosidade organizacional (frequência a encontros religiosos), religiosidade não‐organizacional (orações, práticas pessoais), e religiosidade intrínseca (o quanto a fé é parte de quem você é) apresentam correlação com menor tendência à ideação suicida. Então dependendo do acolhimento recebido, a fé e a religião podem ser tornar aliadas. No entanto, não é algo automático: a religião só funciona como apoio se houver acolhimento, compreensão, diálogo aberto. Se as crenças vêm com muito peso de culpa ou vergonha ou com silêncios rígidos, podem também isolar ainda mais quem sofre.

 

Por que esconder só aprofunda a dor

Tente pensar em um corte profundo no braço. É um ferimento grave, sangra, precisa de pontos e de cuidados. Esconder a dor emocional seria como levar um ferimento profundo, cobrir, ignorar a dor, até que a ferida infeccione. Esconder pensamentos suicidas é impermeabilizar a ferida. Pode parecer que isso protege porque falar nos coloca numa posição muito vulnerável e desconfortável, para alguns associam com admitir fraqueza e inseguranças. Mas na verdade, ao guardar pra si, só está enterrando o sofrimento num lugar escuro, sem luz, sem ar e esse sofrimento irá retornar para te cobrar esse sufocamento. Se nossas feridas emocionais não são elaboradas, elas se tornam sintomas e mais sintomas até que seu corpo não aguente mais.

 

Pensamentos suicidas não precisam ser escondidos. Eles são dolorosos, sim, mas muitas pessoas os têm em algum momento da vida. E quanto antes forem falados, antes deles se fortalecerem, melhor. Conversar com alguém de confiança (um amigo, parente, líder espiritual, professor...) já ajuda. Só de colocar em palavras a dor, existe um alívio, uma quebra do isolamento. De preferência, procurar um profissional (psicólogo clínico ou psiquiatra) porque entender as origens e investigar melhor esse momento é essencial para um tratamento que cuide de fato.

 

Tratamento é mais do que possível. Terapias, apoio psicológico, medicação quando indicada, rede de suporte, tudo isso pode transformar a vida. O suicídio é uma solução permanente para dores que muitas vezes podem ser temporárias.

 

Esse mês amarelo que acende faixas, lombadas, prédios públicos, não é só para lembrar. É para abrir portas de conversas que ficam trancadas. É para segurar a mão de quem está prestes a desistir, para dizer: “Você não está só. Sua dor importa. Sua vida importa.” No fim, o nosso gesto mais gentil e recomendado é sempre oferecer presença, tempo, escuta e empatia livre de julgamentos. Sofrimentos e dores não podem ser medidos e comparados, mas podem ser escutados e tratados.

 

BUSQUE AJUDA, AINDA HÁ TEMPO!

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Sobre a autora M. Cecília Guarnieri

Psicóloga Clínica

CRP: 06/178857

Instagram: @mariacecipsi

Site: www.psicecilia.com.br

Whatsapp: (19) 993236539 Conheça o perfil de Cecília no Terappia clicando aqui

Quem sou eu?
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Larissa Fernanda de Oliveira

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Online

Olá! Sou Larissa, psicóloga, e acredito que a terapia pode ser um espaço de acolhimento, escuta e construção de novos caminhos, onde você possa falar sobre o que sente sem julgamentos e no seu próprio ritmo.

Atendo adolescentes, adultos e idosos, respeitando a história, as necessidades e o momento de vida de cada pessoa. Meu trabalho é baseado na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), uma abordagem que busca compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos e, a partir disso, desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com diferentes situações.

A terapia pode ser um espaço importante para quem está enfrentando ansiedade, baixa autoestima, inseguranças, dificuldades nos relacionamentos, mudanças importantes na vida, sobrecarga emocional, dificuldades para lidar com sentimentos, problemas de adaptação, momentos de crise ou simplesmente sente que precisa de um espaço para se compreender melhor.

Ao longo do processo, vamos olhar para aquilo que está acontecendo hoje, compreender padrões que podem estar contribuindo para o seu sofrimento e construir, juntos, ferramentas para que você consiga lidar melhor com suas emoções e situações do cotidiano.

Meu objetivo é que você encontre na terapia um espaço seguro para se conhecer, desenvolver novas perspectivas e construir uma relação mais saudável consigo mesmo e com a própria vida.

Se você sente que está passando por um momento difícil ou que gostaria de cuidar mais de si, talvez este seja um bom momento para começar. Será um prazer te acompanhar nessa caminhada.

Valor da Sessão / Tempo de duração

R$ 60,00

/

50 minutos

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