
O amor é, muitas vezes, a experiência mais intensa e transformadora que podemos viver. Ele nos conecta, nos dá sentido e nos faz sentir vivos. Mas, paradoxalmente, também pode machucar profundamente. Segundo a psicanálise, isso acontece porque o amor não é apenas encontro entre duas pessoas: é também o lugar onde entram em cena nossas expectativas, nossas feridas e nossos desejos inconscientes.
Desde a infância, aprendemos padrões de afeto que moldam a maneira como nos relacionamos. Experiências de rejeição, abandono ou insegurança podem se repetir nos relacionamentos adultos, mesmo que de forma inconsciente. Assim, uma frustração amorosa pode despertar antigas dores que nem sempre estão claras para nós. O que machuca no amor, muitas vezes, não é apenas o comportamento do outro, mas o encontro desse comportamento com nossas vulnerabilidades internas.
Além disso, o amor mexe com nossa identidade. Quando amamos, nos mostramos vulneráveis, expomos medos, desejos e fragilidades. Essa exposição, por mais necessária, pode gerar dor quando expectativas não são correspondidas ou quando há conflitos. A psicanálise nos ajuda a entender que essa dor não é sinal de fracasso, mas de que estamos vivos e em contato com partes profundas de nós mesmos.
Compreender por que o amor machuca permite que possamos olhar para nossas feridas sem nos culpar, reconhecendo padrões repetitivos e aprendendo a construir vínculos mais conscientes. Amar não significa estar livre da dor, mas estar disposto a atravessá-la, refletir sobre ela e crescer a partir dela.





