
Nem sempre perdemos a nós mesmos de uma vez. Às vezes, isso acontece aos poucos.
Primeiro, você deixa de dizer o que pensa para evitar uma discussão. Depois, começa a esconder aquilo que sente para não parecer "difícil". Mais tarde, passa a aceitar situações que o machucam porque acredita que qualquer conflito pode colocar a relação em risco.
Quando percebe, já não sabe exatamente onde termina o desejo do outro e onde começam os seus.
Muitas pessoas entram em relacionamentos acreditando que amar é abrir mão de si. Que maturidade é suportar tudo. Que compromisso é sacrificar constantemente as próprias necessidades. Mas existe uma diferença importante entre ceder ocasionalmente por amor e abandonar a si mesmo para garantir a permanência de alguém.
O primeiro fortalece os vínculos. O segundo enfraquece a identidade.
O medo de perder alguém pode nos levar a negociações silenciosas. Não são acordos feitos em voz alta. São pactos internos.
"Se eu for mais compreensivo, talvez a pessoa fique."
"Se eu não reclamar, talvez ela me ame mais."
"Se eu me adaptar o suficiente, não serei abandonado."
Sem perceber, a relação deixa de ser um encontro entre duas pessoas inteiras e passa a ser um esforço constante para evitar uma perda. E viver tentando evitar uma perda tem um custo alto.
Porque, enquanto você luta para não perder o outro, pode acabar perdendo a si mesmo.
Aos poucos, seus limites ficam confusos. Seus valores começam a ser negociados. Seus desejos parecem menos importantes. Você se acostuma a ocupar menos espaço, a falar menos, a sentir menos.
Não porque deixou de existir. Mas porque aprendeu que existir plenamente parecia ameaçar a relação.
O problema é que relacionamentos saudáveis não exigem que uma pessoa desapareça para que a outra permaneça.
Amor não deveria pedir que você traísse quem você é. Não deveria exigir que você silenciasse suas necessidades, ignorasse suas dores ou abandonasse seus princípios para merecer afeto. Isso não significa que relacionamentos não envolvam renúncias. Toda convivência exige ajustes, diálogo e concessões. Mas existe um limite entre adaptar-se e anular-se.
Quando você precisa deixar de ser quem é para ser amado, o amor já está cobrando um preço alto demais.
Na clínica, muitas pessoas chegam sofrendo porque sentem um vazio que não conseguem explicar. Estão em relacionamentos, têm pessoas ao redor, mas experimentam uma sensação profunda de desconexão.
Frequentemente, não é a falta do outro que dói. É a falta de si.
É perceber que, durante tanto tempo, toda a energia foi direcionada para sustentar a relação, que não sobrou espaço para sustentar a própria identidade. Talvez uma das perguntas mais importantes não seja: "Como faço para não perder essa pessoa?" Mas sim: "O que estou perdendo de mim para mantê-la?"
Porque algumas perdas machucam. Mas perder a própria essência para evitar o abandono costuma ser uma das mais silenciosas, e das mais difíceis de recuperar.
Relacionamentos saudáveis não acontecem quando alguém se reduz para caber.
Acontecem quando duas pessoas conseguem permanecer inteiras enquanto caminham juntas.
E, às vezes, o maior ato de amor não é segurar alguém a qualquer custo. É permanecer fiel a quem você é, mesmo quando existe o risco de que o outro vá embora. Afinal, nenhuma presença vale o preço da sua própria ausência.
@gabimercado.psi
Quem sou eu?

Guilherme Santos Novaes
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Sou psicólogo, e minha prática é guiada pela psicologia histórico-cultural, uma abordagem que entende que não existimos isolados de nossa história, das relações que construímos e do contexto em que vivemos. Isso significa que, no nosso trabalho juntos, olhamos não só para o que você sente, mas para as experiências e vivências que moldaram esse sentir.
Atendo adultos em geral, com queixas como ansiedade, depressão, momentos de transição e busca por autoconhecimento, além de ter atenção especial a públicos como universitários e pessoas LGBTQIA+, cujas trajetórias muitas vezes pedem um olhar mais atento às particularidades do que estão vivendo.
Acredito em um espaço terapêutico acolhedor, sem julgamentos, onde você possa se sentir à vontade para pensar sobre sua própria história e construir, aos poucos, novos sentidos para ela.
Se você sente que é hora de conversar sobre o que está vivendo, será um prazer caminhar junto com você nesse processo.
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