
Quem sou eu quando não preciso ser aquilo que esperam de mim?
Uma reflexão sobre desejo, aprovação e o processo de descobrir quem somos para além das expectativas do outro com o livro A Coragem de Não Agradar, de Ichiro Kishimi e Fumitake Koga
Sep 21, 2026
Giovanna de Oliveira Barbosa Costa
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Talvez uma das perguntas mais difíceis que possamos fazer a nós mesmos seja: “O que eu realmente quero, quando não estou tentando corresponder ao que esperam de mim?”
A Coragem de Não Agradar, de Ichiro Kishimi e Fumitake Koga, nos convida a olhar para essa questão. Mas, para além da ideia de simplesmente deixar de se importar com a opinião dos outros, o livro pode abrir espaço para uma reflexão mais profunda sobre a maneira como construímos nossas escolhas, nossos relacionamentos e até a imagem que temos de nós mesmos.
Desde muito cedo, aprendemos que ser amado, reconhecido e aceito importa. Por isso, muitas vezes, aprendemos também a nos adaptar. Dizemos “sim” quando gostaríamos de dizer “não”, evitamos conflitos, assumimos responsabilidades que não são nossas e buscamos constantemente a aprovação de quem está ao nosso redor.
Com o tempo, algumas dessas escolhas podem parecer tão naturais que deixamos de perceber que estamos escolhendo. Apenas seguimos aquilo que acreditamos que devemos ser.
É nesse ponto que o livro pode se tornar especialmente interessante para um processo de autodescoberta. Não necessariamente para ensinar a agradar menos, mas para nos ajudar a perguntar por que precisamos tanto agradar.
O que significa, para mim, decepcionar alguém? O que imagino que aconteceria se eu colocasse um limite? Por que dizer “não” desperta tanta culpa? Quanto das minhas escolhas nasce de um desejo próprio e quanto nasce do medo de perder o amor, a aprovação ou o lugar que ocupo na vida de alguém?
Essas perguntas podem nos aproximar de partes de nós que, muitas vezes, ficaram escondidas atrás das expectativas dos outros.
E talvez autoconhecimento não seja descobrir uma versão completamente independente de nós mesmos, que não precisa de ninguém. Somos seres atravessados pelos vínculos, pelas relações e pelo olhar do outro. A questão é poder construir uma relação mais consciente com tudo isso, reconhecendo onde termina a expectativa do outro e onde começa aquilo que podemos desejar para nós.
Nesse sentido, a coragem de não agradar também pode ser a coragem de sustentar quem somos, mesmo quando isso não garante a aprovação de todos.
E isso nem sempre acontece de forma confortável. Às vezes, descobrir o próprio desejo significa perceber que algumas escolhas foram feitas para evitar conflitos, que determinados vínculos foram sustentados pela culpa ou que passamos muito tempo tentando ocupar um lugar que acreditávamos ser necessário para sermos amados.
Por isso, talvez a autodescoberta não esteja em encontrar respostas prontas, mas em começar a fazer perguntas que antes não conseguíamos fazer.
Quem sou eu quando não preciso ser aquilo que esperam de mim?
Quem sou eu?

Pauline Carla de Freitas
CRP:

06/202863
Atendimento:
Online
Meu compromisso é proporcionar um espaço seguro, acolhedor e livre de julgamentos, para que cada pessoa possa se sentir à vontade para compartilhar suas experiências, compreender suas emoções e construir caminhos mais alinhados aos seus valores e objetivos de vida.
Meu trabalho é fundamentado na Análise do Comportamento e na Terapia Analítica Funcional (FAP), abordagens baseadas em evidências científicas que auxiliam no tratamento de diversas demandas emocionais e psicológicas, como ansiedade, depressão, Transtorno do Espectro Autista (TEA), dificuldades nos relacionamentos, entre outras.
Tenho especial interesse e experiência no atendimento de mulheres e de pessoas que desejam compreender e transformar seus padrões relacionais, fortalecendo vínculos mais saudáveis consigo mesmas e com os outros.
Também atuo de forma sensível e comprometida com questões relacionadas aos impactos psicossociais do racismo e da LGBTQIAPN+fobia, reconhecendo como essas experiências podem afetar a saúde mental e a qualidade de vida. Acredito que a terapia pode ser um espaço de acolhimento, fortalecimento e construção de novas possibilidades, respeitando a história, a identidade e a singularidade de cada pessoa.
Ofereço atendimento psicológico online para adultos do Brasil e exterior, além de consultas presenciais em São Bernardo do Campo (SP).
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