
As redes sociais prometem conexão, informação e entretenimento. Mas para muitos, elas se tornam armadilhas silenciosas que consomem tempo, atenção e energia emocional. Rolamos feeds sem perceber, comparamos nossas vidas com o que vemos e nos sentimos insuficientes, ansiosos ou vazios.
O problema não é usar, é quando o uso deixa de ser escolha e passa a ser reflexo de algo que queremos evitar. Algumas pessoas acessam a rede para fugir do tédio, da solidão, da ansiedade, ou até da própria sensação de inadequação. E quanto mais rolam, mais se distanciam do que sentem de verdade.
O vício em redes sociais não é só sobre tempo perdido. Ele influencia a autoestima, altera padrões de sono, intensifica a sensação de desconexão e dificulta experiências reais de prazer e intimidade. A mente aprende a buscar dopamina fácil, a validação imediata, e tudo o que exige paciência ou reflexão profunda fica em segundo plano.
Na terapia, esse tema surge com frequência. A proposta não é demonizar as redes, mas compreender o que elas estão substituindo: quais emoções ou necessidades estão sendo ignoradas? O primeiro passo é recuperar consciência do próprio comportamento, perceber padrões automáticos e criar pequenas estratégias de limite, sem culpa.
No fundo, o desafio é simples, mas não fácil: usar a tecnologia sem deixar que ela use você. Reconectar com o que é real, com o que sente, com o que constrói sentido fora da tela. Porque a vida acontece longe do feed, mas muitas vezes nos esquecemos disso até que ela nos cobre presença.





