
Ainda reverberam em mim algumas questões suscitadas por uma maravilhosa conferência a que assisti há duas semanas, intitulada "Narcisismo digital."
Uma breve nota sobre o título: não se trata de condenar o narcisismo. Este é uma dimensão constitutiva do ser humano. A conferência tratava justamente da compreensão de um novo modo de construçao desse narcisismo, que em outras palavras é a construção disso que chamamos de eu. Este novo narcisismo, hoje não se dá apenas pelo espelho oferecido por outros humanos- pais, mães, cuidadores em geral e os modelos que os substituem posteriormente, mas também, e cada vez mais, por modelos não humanos. O que torna essa construção extremamente mais complexa e frágil.
O ponto crucial era pensar como este se constitiu nos dias de hoje, em tempos marcados pela presença maciça das redes sociais e agora das Inteligências artificiais. Se nosso eu se constitui a partir da experiência esses outros primordiais, como fica essa construção quando nossos outros são também virtuais e artificiais? Como se dão nossos primeiros contatos com a falta, a frustração e a espera quando esse outro se apresenta sempre disponível e, aparentemente, inteiro?
O que me parece interessante de notar aí é o caráter de urgência que pode se construir a partir dessas novas experiências. Perdemos, pouco a pouco, a capacidade de nos frustrar, de errar, de esperar, de ter tempo para pensar e até mesmo o direito de não saber.
Esse caldeirão é capaz de produzir estados de urgência que aparecem nas diversas formas de angústia, ansiedade e compulsão. Afinal, a urgência aponta justamente para a experiência do desamparo. Diante da falta de algumas garantias, queremos uma resposta pronta e imediata, diante da espera, queremos uma solução, diante da dúvida e do não saber, buscamos imediatamente alguém ou agora um artefato que saiba por nós.
Talvez por isso, hoje em dia, seja mais difícil sustentar uma análise. A experiência de uma análise caminaha na contramão do que vivenciamos no dia a dia. Ela exige tempo, espera, pausas e, sobretudo, a possibilidade de não saber. Esse tempo da urgência esquece, deixa de lado, todas as complexidades da vida de cada um, as faltas, as perguntas sobre a vida. A urgência produz uma redução drástica do tempo que é necessário para elaborar nossa experiêcia no mundo, fazer boas perguntas e elaborar e inventar suas respostas. Neste sentido a psicanálise convida cade um a estabelecer uma suspensão, mesmo que temporária, deste estado. O melhor remédio para a angústia é o desejo.
Quem sou eu?

Julia da Costa Neves
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Você merece se sentir bem consigo mesmo, compreender suas emoções e viver relações mais saudáveis.
E ás vezes, a ansiedade, as inseguranças e as dificuldades nos relacionamentos tornam a rotina mais pesada do que gostaríamos. Em meio a tantos sentimentos e cobranças, pode ser difícil entender o que está acontecendo e encontrar novas formas de lidar com tudo isso. Você não precisa enfrentar esse processo sozinho.
Sou Júlia Neves, psicóloga clínica, especializada em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e pós-graduanda em Neurociência e Comportamento.
Meu trabalho é oferecer um espaço de escuta, acolhimento e desenvolvimento, no qual você possa falar sobre suas experiências sem julgamentos, compreender seus pensamentos e emoções e desenvolver estratégias para lidar com os desafios do dia a dia.
Acredito que a terapia é um processo de autoconhecimento e transformação, que permite construir novas perspectivas, fortalecer sua autonomia e desenvolver uma relação mais saudável consigo mesmo e com o mundo ao seu redor.
Dar o primeiro passo pode ser desafiador, mas você não precisa ter todas as respostas para começar. A terapia pode ser o início de uma nova forma de olhar para si e para a sua história.
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