
É comum que, ao iniciar um processo terapêutico, surjam dúvidas sobre o que dizer ou como conduzir a fala. Muitas pessoas relatam receio de “travar” ou de não saber por onde começar. Esse sentimento é legítimo, e, na clínica psicanalítica, é acolhido como parte do processo.
A psicanálise se fundamenta na associação livre: um método que convida o paciente a dizer tudo o que vier à mente, sem censura, sem hierarquia de temas e sem a exigência de coerência imediata. Essa liberdade discursiva permite que conteúdos inconscientes, pensamentos, lembranças, afetos, possam emergir, mesmo aqueles que não estavam previamente acessíveis à consciência.
O silêncio, a hesitação ou o “não sei o que dizer” não são obstáculos, mas expressões que também carregam sentido. Na escuta analítica, esses momentos são sustentados com atenção e cuidado, pois revelam aspectos importantes da subjetividade. Até mesmo o que parece nada pode ter valor clínico.
Acolher os tempos do paciente, respeitar seus silêncios e sustentar o espaço da fala são elementos fundamentais da prática. Travar, confundir-se ou silenciar são movimentos legítimos e, muitas vezes, inauguram caminhos de elaboração e transformação.
Iniciar a terapia é, acima de tudo, um gesto de abertura. E mesmo quando as palavras não vêm, a escuta permanece.





