
Em uma sociedade que frequentemente valoriza a disponibilidade constante e a capacidade de atender às expectativas dos outros, muitas pessoas acabam se acostumando a ignorar os próprios sentimentos e necessidades. Dizem "sim" quando gostariam de dizer "não", evitam expressar incômodos e permanecem em situações que lhes causam sofrimento para preservar o conforto alheio.
Embora a empatia e a consideração pelo outro sejam fundamentais para a construção de relações saudáveis, colocar-se repetidamente em segundo plano pode ter consequências emocionais importantes. Com o tempo, esse padrão pode gerar cansaço, frustração, ressentimento e uma sensação de distanciamento de si mesmo.
Sob a ótica da psicanálise, a tendência de priorizar excessivamente as necessidades dos outros pode estar relacionada às experiências e aos vínculos construídos ao longo da história de vida. Em alguns casos, a pessoa aprende, de forma consciente ou inconsciente, a associar o amor, a aceitação e o reconhecimento à capacidade de corresponder às expectativas alheias.
Refletir sobre esse comportamento é uma oportunidade de olhar para si mesmo com mais atenção. Reconhecer os próprios limites, identificar necessidades emocionais e aprender a expressá-las não significa deixar de se importar com o outro. Pelo contrário, o autocuidado e o estabelecimento de limites saudáveis favorecem relações mais autênticas, equilibradas e satisfatórias.
A pergunta que permanece é: quantas vezes você se colocou em desconforto para manter outras pessoas confortáveis? Talvez a resposta para essa questão seja também um convite para se escutar com mais cuidado e dar espaço às próprias necessidades emocionais.
Andreza Fonseca Lima
Psicóloga | CRP 11/23449





