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"Amar é dar o que não se tem" - O que isso signfica?

O amor e a falta: Entendendo a Melancolia

11 dic 2025

Geovanna Moreira Bastos

00:00 / 01:04
Psicoterapia

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O amor costuma ser visto como algo que completa, fortalece e aproxima. Mas, quando pensamos nele a partir da psicoterapia, percebemos que o amor também mostra nossas faltas, nossos limites e até o que nos sustenta emocionalmente. O psicanalista Jacques Lacan dizia que, no fundo, tudo começa pelo amor. É por meio dele que aprendemos sobre nós mesmos: sobre o que buscamos, o que sentimos que nos falta e como nos ligamos às pessoas ao redor. Amar envolve reconhecer que não somos completos — e é exatamente esse reconhecimento que nos faz desejar, criar laços e seguir adiante.

 

Mas nem sempre o amor consegue cumprir esse papel. Às vezes, ele falha — não porque alguém fez algo errado, mas porque algo não se formou da maneira esperada dentro da história emocional de uma pessoa. Segundo Lacan, quando o amor não consegue abrir esse espaço onde a falta pode ser compartilhada e transformada em laço, algo essencial deixa de acontecer. É como se o amor, que deveria ajudar a organizar nossos afetos, não encontrasse espaço para operar. Essa falha não fala sobre um romance que deu errado, mas sobre algo mais profundo: a forma como uma pessoa se sente vista, reconhecida e acolhida desde muito cedo.

 

É justamente a partir dessa ideia que podemos entender melhor a melancolia. A melancolia não é apenas tristeza profunda. Ela nasce de uma relação muito particular com o amor e com a perda. Quando alguém vive uma perda, é esperado que sofra, mas que aos poucos consiga se despedir e reconstruir o próprio caminho. Na melancolia, isso não acontece. A pessoa até perde alguém ou algo importante, mas não consegue soltar o vínculo com aquilo que se foi. Em vez disso, ela fica agarrada ao vazio deixado pela perda, como se uma parte de si mesma tivesse ido embora junto com o objeto amado.

 

Esse tipo de ligação tão intensa não aparece por acaso. Ele costuma ter raízes muito antigas, lá no início da vida, quando o bebê depende completamente do olhar e dos cuidados de alguém. Esse primeiro olhar não alimenta só o corpo, mas também o senso de existir, de ser alguém diante do outro. Para a criança, sentir-se amada é sentir-se real. Mas, quando esse olhar não vem da forma necessária — seja por ausência, excesso ou confusão —, a relação com o amor pode ficar marcada por uma espécie de buraco. No futuro, diante de uma perda, a pessoa não perde só o outro; perde também uma parte de si mesma.

 

Na melancolia, o amor não consegue servir como ponte entre o que falta e a possibilidade de seguir adiante. Em vez disso, o sentimento fica preso, como se nada mais pudesse ocupar o lugar do que foi perdido. A pessoa se sente esvaziada, culpada, sem valor — não porque quer, mas porque algo interno desmoronou junto com o objeto amado. O amor, que normalmente ajuda a transformar a falta em desejo e movimento, fica bloqueado. E o sujeito permanece ligado a um espaço vazio que dói e consome.

 

Entender a melancolia por essa via não é rotular ninguém, mas ampliar a compreensão. Ela não é fraqueza, nem escolha. É uma forma de sofrimento marcada por uma relação muito particular com o amor e com a perda. Em psicoterapia, esse espaço pode ser reconstruído pouco a pouco, permitindo que o sujeito reencontre algo de si que ficou perdido no caminho. Falar, ser escutado e ser acolhido sem exigências pode abrir novamente o espaço onde o amor — aquele que sustenta e organiza — possa enfim operar.

 

 

 

Geovanna Moreira Bastos | Psicóloga e psicanalista - CRP 01/30116

Meu perfil no Terappia: www.terappia.com.br/psi/Geovanna-Moreira-Bastos

 

 

 

 

#terapia #psicologia #psicoterapia #amor #relacionamento

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