
Tsunamis ocorrem após uma sequência de fatos: alguns deles passam despercebidos, enquanto outros anunciam o que vem a seguir. Um relacionamento abusivo não é muito diferente disso. A violência segue uma escalada previsível, muitas vezes com final trágico.
Num dia você está apreciando uma paisagem paradisíaca e, no outro, percebe que há algo de errado acontecendo, mas não consegue explicar exatamente o que. O dia parece mais cinza, a água mais fria e qualquer carinho arranha.
A violência traz um gosto amargo que rouba suas palavras. Tudo parece ter mudado do dia para a noite, mas, na verdade, a violência foi se instalando sorrateiramente ao seu lado.
Fizeram você acreditar que se tratava de amor e cuidado, mas a violência já estava lá — assim como os fenômenos que antecedem o tsunami. Quando você se percebe em uma zona de perigo, seu modo de sobrevivência deve falar mais alto.
Assim como o tsunami, a violência masculina só recua para te engolir.
Beatriz Lira,
Psicóloga de mulheres.
CRP 18/8244





