
Quando você se torna mãe, algo estranho acontece. Você começa a entender seus pais de um jeito que nunca conseguiu antes. Não porque eles te explicaram mas porque agora você está do mesmo lado que eles estavam. Fazendo as mesmas perguntas sem resposta, tomando decisões com informação incompleta, tentando dar conta de algo que ninguém te ensinou direito.
E aí duas coisas podem acontecer ao mesmo tempo.
A humanização e a raiva
Você os humaniza. Percebe o quanto era difícil o que eles viviam. O quanto eles também estavam tentando, com o que tinham, com o que sabiam, com o que carregavam das próprias histórias. E isso pode trazer um alívio que você não sabia que precisava. Uma compreensão que afrouxa algo antigo que estava apertado há tempo demais.
Ou você os demoniza. Porque agora que você está aqui, fazendo isso, entende exatamente o que eles escolheram não fazer. O que não te deram tendo a oportunidade. O que repetiram sem questionar. O que podia ter sido diferente e não foi.
E essa raiva também faz sentido. Não é ingratidão. É clareza. É o que acontece quando você finalmente tem referência suficiente para nomear o que faltou.
Os dois movimentos podem coexistir. E os dois têm algo importante a dizer.
O que a parentalidade realmente convida você a fazer
Mas o que me interessa de verdade é o que vem depois disso.
Porque a parentalidade não te convida só a olhar para seus filhos, ela te convida a olhar para o padrão familiar inteiro. Para o que foi passado de geração em geração sem que ninguém parasse para perguntar se valia a pena continuar passando.
O jeito de lidar com conflito. A forma de demonstrar afeto ou de evitá-lo. O que se fala e o que se cala. O que se cobra e o que se ignora. O que é amor e o que é controle. O que é cuidado e o que é sufocamento.
Tudo isso chega até você. Não de forma abstrata, de forma viva, cotidiana, nos momentos mais inesperados. No tom de voz que você usa quando está com raiva. Na forma como reage quando o filho chora. No que você sente quando ele pede algo que você não sabe dar.
O que você decide agora
Você decide, consciente ou não, o que repete e o que quebra.
E essa é uma das coisas mais pesadas e mais transformadoras da maternidade. Não é só criar um filho. É se deparar com quem você foi criada para ser, com os padrões que herdou, com as feridas que carrega, com as crenças que nem sabia que tinha e escolher, a partir de agora, quem você quer ser.
Jung chamava isso de transmissão psíquica entre gerações, a ideia de que o que não é elaborado pelos pais é passado para os filhos, não como escolha, mas como herança inconsciente. E que o trabalho de se conhecer, de olhar para a própria história, tem um impacto que vai além de você, chega até quem você está criando.
Interromper um padrão geracional não é um ato pequeno. É um dos mais corajosos que existe.
E se você sente que a maternidade está trazendo à tona coisas da sua própria história que pedem atenção, me encontre pelo link abaixo aqui na plataforma.
Thainá





