
Existe uma tendência humana de amar não apenas as pessoas, mas também as histórias que construímos sobre elas.
Antes mesmo de conhecer verdadeiramente alguém, muitas vezes já o revestimos de expectativas, desejos e fantasias.
Enxergamos aquilo que gostaríamos de encontrar: alguém que nos complete, nos compreenda sem falhas ou cure antigos vazios. Nesse movimento, o outro deixa de ser uma pessoa e passa a ocupar um lugar em nossa imaginação.
A idealização nasce justamente dessa dificuldade de lidar com a falta. Em vez de nos relacionarmos com a realidade, tentamos transformá-la em algo que corresponda aos nossos anseios. O problema é que nenhuma pessoa consegue sustentar por muito tempo o peso de uma fantasia.
Mais cedo ou mais tarde, o real aparece.
A contradição surge. O defeito se revela. A diferença se impõe. E aquilo que antes parecia encantador passa a ser vivido como decepção. Mas talvez a decepção não venha do outro. Talvez ela venha do desencontro entre quem a pessoa é e quem imaginávamos que ela fosse.
Na perspectiva psicanalítica, amar não significa encontrar alguém perfeito. Significa reconhecer que o outro existe para além dos nossos desejos. Existe como sujeito, com sua própria história, suas faltas, seus limites e suas contradições.
Por isso, o encontro verdadeiro não acontece na idealização. Ele começa quando ela falha.
Quando a imagem se rompe, surge a possibilidade de algo mais profundo: a experiência de se relacionar com alguém real. Não com uma promessa de completude, mas com uma presença humana.
Talvez amar seja justamente sustentar esse encontro. Permanecer diante da imperfeição sem transformá-la imediatamente em desilusão. Aceitar que o outro nunca será tudo aquilo que sonhamos e, ainda assim, encontrar valor em sua existência.
Porque, no fim, não é a fantasia que aproxima as pessoas. É a capacidade de sobreviver ao seu fim.
Quem sou eu?

Guilherme Santos Novaes
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Sou psicólogo, e minha prática é guiada pela psicologia histórico-cultural, uma abordagem que entende que não existimos isolados de nossa história, das relações que construímos e do contexto em que vivemos. Isso significa que, no nosso trabalho juntos, olhamos não só para o que você sente, mas para as experiências e vivências que moldaram esse sentir.
Atendo adultos em geral, com queixas como ansiedade, depressão, momentos de transição e busca por autoconhecimento, além de ter atenção especial a públicos como universitários e pessoas LGBTQIA+, cujas trajetórias muitas vezes pedem um olhar mais atento às particularidades do que estão vivendo.
Acredito em um espaço terapêutico acolhedor, sem julgamentos, onde você possa se sentir à vontade para pensar sobre sua própria história e construir, aos poucos, novos sentidos para ela.
Se você sente que é hora de conversar sobre o que está vivendo, será um prazer caminhar junto com você nesse processo.
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