
Muitas pessoas negras cresceram ouvindo que não eram “negras” ou “pretas”, mas sim “morenas”. Essa fala carrega a ideia de que ser chamado de negro, preto ou pardo é algo negativo. Também são comuns expressões como: “você é um negro de alma branca” ou “se alisasse o cabelo, nem pareceria tão negro”, que buscam suavizar ou negar a negritude. Esse tipo de discurso mostra como o silenciamento da identidade racial negra é uma prática frequente no Brasil. Trata-se de uma forma de racismo implícito e velado, que deslegitima a identidade da pessoa negra e tenta embranquecê-la.
Desde os primeiros anos de vida, questões de pertencimento racial já influenciam a construção psicológica das crianças. Valores racistas, historicamente construídos, associam características de pessoas negras a aspectos inferiores, como traços corporais, culturais ou religiosos. As crianças, então, internalizam esses valores, o que resulta em experiências discriminatórias desde cedo, podendo afetar a autoestima e o desempenho escolar.
Apesar desses impactos, muitas vezes familiares, professores e colegas negligenciam o tema, alimentados pelo mito de que crianças não compreendem nem reproduzem o racismo. A escola, como reflexo da sociedade, pode tanto reforçar relações raciais negativas quanto promover transformações. A pessoa se constrói por meio das relações sociais e culturais; assim, como a escola reconhece ou desvaloriza a diversidade racial influencia diretamente a autoimagem e a identidade de sujeitos negros.
Experiências de opressão racial na infância podem gerar desconfiança, medo e insegurança nos relacionamentos futuros. O indivíduo negro é frequentemente confrontado com a negação de si e com a valorização da branquitude como modelo dominante. Esse cenário cria a pressão social para buscarem se encaixar na norma branca, como alizar ou cortar cabelo bem curto, evitar tomar sol e fazer tratamentos de clareamento. O desejo de se embranquecer não é natural, mas um mecanismo de defesa para tentar diminuir as violências experienciadas pelo racismo.
A psicoterapia é um local para que indivíduos que passaram pelas marcas do racismo consigam não identificar como elas influenciam na sua vida, mas mudar a sua posição frente ao racismo experienciando. Assim, é possível construir uma forma de ser no mundo que valorize a sua cor e diversidade.
Geovanna Moreira Bastos - CRP 01/30116
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