
Na minha trajetória com a psicologia me deparei com diversas pessoas com diversas demandas diferentes. Na prática - desde a faculdade - aprendi como estar atento não ajuda apenas a identificar qual é o sofrimento, mas também a entender o que aquele indivíduo precisa naquele momento. Afinal, os próprios patronos da psicologia, os professores, e a própria práxis indicam: tratar o paciente - ou cliente, é o principal a ser feito, e isso pode se dar através da simples e nada fácil escuta ativa.
Quem chega à psicoterapia se encontra - no sentido de se encontrar, de se perceber e ver/ouvir tal como ele de fato está - se o profissional o escutar, e estes encontros revelam angústia, desespero, o sentimento de estar perdido, a vergonha. Há um filme de Robin Williams em que ele é um médico que trata alguns pacientes em coma, outros pacientes psicóticos, outros até em estado de catatonia, que são ignorados pelos funcionários da instituição/hospital. O que ele descobre é que a resposta deles está no “interesse de quem joga a bola com eles”, na disposição de quem cuida. Os pacientes percebiam a falta de interesse, atenção e cuidado verdadeiro pelos funcionários do lugar que estavam, e logo quando o personagem de Robin Williams começa a jogar a bolinha com interesse, a participar da loucura do psicótico, e a conversar com o paciente em coma, muitas coisas começam a mudar. O espaço em que estão inseridos passa a ganhar mais vivências - vida com intenção.
Assim é na psicoterapia também, é preciso intenção verdadeira para que aquele que vem em busca de ajuda revele sua originalidade, que se revela nessa investigação constante - e ele percebe quando há interesse ou não. Assim vai se revelar o que o paciente precisa, se é a psicoterapia, se apenas uma consulta psicológica terapêutica ou orientação profissional/aconselhamento de carreira.
Quando pensamos na palavra análise - psicanálise, daseinanálise, psicologia analítica, análise do comportamento, há embutido um sutil sentido de ver, analisamos aquilo que vemos, numa postura diretiva/ativa. Todavia, num espaço terapêutico, num setting(gerúndio de to set, do inglês definir/colocar, dispôr) terapêutico é preciso um diálogo, entre o psicólogo e o paciente/cliente. Ambos têm algo a trazer e a receber, há uma reação alquímica, que estrutura um sentido - que é terapêutico. Então há um outro significado a ser incluído na palavra análise, o de se silenciar e ouvir o que o outro tem a dizer, e qual o caminho a ser seguido nesse percurso.
Um novo encontro é sempre uma surpresa por si só, surpreendente e entusiasmado encontro, cada encontro sendo um caminho diferente de todos os outros.





