
Muitas pessoas chegam à psicoterapia em busca de alívio para algo que não sabem bem nomear. Às vezes, dizem: “Está tudo bem na minha vida, mas eu não consigo parar de chorar”. Outras, sentem um vazio, uma angústia ou um cansaço que parecem não fazer sentido. O sintoma aparece como um incômodo que invade o cotidiano — uma tristeza persistente, uma ansiedade sem motivo, uma dificuldade em se relacionar. É justamente esse “não saber o que está acontecendo” que abre espaço para o trabalho psicanalítico: colocar-se à escuta desse enigma que o sintoma traz.
Freud, o criador da psicanálise, percebeu desde cedo que o sofrimento psíquico não se explica apenas pela razão. Ele começou a escutar suas pacientes de um jeito novo, atento ao que suas palavras revelavam além do que parecia evidente. Assim nasceu a psicanálise — uma forma de tratamento baseada na “fala que cura”. O paciente quem possui as respostas dos seus conflitos psicológicos, basta conseguir escuta-los para desvendar o que eles significam. Ao falar e se escutar, pode encontrar um novo sentido para o que sente. Toda vez que o paciente repete uma história, um sentimento, um sintoma, ele acrescenta uma nova palavra, um novo texto à narrativa da história da sua vida. A cada palavra adicionada, cria-se uma nova pista para entender e tratar as questões do paciente.
O sintoma é visto como uma mensagem do inconsciente. Ele é o jeito que a mente encontra para expressar algo que não conseguiu ser dito de outra forma. Por isso, o papel do analista não é eliminar o sintoma, mas ajudar o paciente a decifrar o que ele quer comunicar. Esse processo não é simples nem rápido. Freud já advertia que o caminho analítico exige tempo, esforço e uma disposição para olhar para dentro, sem garantias de resultados imediatos — mas com a possibilidade de um encontro verdadeiro com a própria história.
A psicanálise entende que, por trás de cada sintoma, há uma verdade escondida. O sintoma é, muitas vezes, uma tentativa inconsciente de dar conta de um desejo que não foi reconhecido — ou de uma dor que não pôde ser vivida. Ao escutar o sintoma, o analista ajuda o paciente a encontrar sentido no que parecia absurdo, transformando o sofrimento em conhecimento de si. É um trabalho artesanal, feito de palavras, escuta e tempo.
Essa escuta não é passiva. Ela convida o sujeito a se ouvir de outro modo, a se questionar sobre o que sente e sobre o que repete. O analista não oferece conselhos nem respostas fáceis, mas sustenta um espaço onde o paciente possa, pouco a pouco, descobrir o que o seu sintoma quer dizer. Esse movimento é o que possibilita a transformação: o que antes era apenas dor passa a ser também linguagem, revelando algo sobre o desejo, sobre o modo de estar no mundo.
Buscar psicoterapia, portanto, é mais do que procurar alívio. É aceitar o convite para um mergulho no próprio inconsciente — um caminho de escuta, de descoberta e de criação de novos sentidos para a vida. O sintoma, que antes parecia um obstáculo, torna-se uma porta de entrada para o autoconhecimento. Porque, como dizia Freud, o sintoma não fala apenas de sofrimento: ele fala também de desejo — e é na escuta desse desejo que começa a possibilidade de cura. E você, tem prestado atenção naquilo que o seu sintoma quer dizer?
Geovanna Moreira Bastos | Psicóloga e psicanalista - CRP 01/30116
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