
Impor limites é autocuidado
Dizer “não” nem sempre é fácil. Entenda por que estabelecer limites pode despertar culpa e como reconhecer suas próprias necessidades pode transformar a forma como você se relaciona.
10 ago 2026
Giovanna de Oliveira Barbosa Costa
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Quando pensamos em autocuidado, é comum imaginarmos momentos de descanso, atividades prazerosas ou cuidados com o corpo. Mas existe uma dimensão do autocuidado que nem sempre recebe a mesma atenção: a capacidade de reconhecer e sustentar os próprios limites.
Dizer “não”, pedir espaço, expressar um incômodo ou simplesmente reconhecer que algo não faz bem também são formas de cuidar de si.
Mas, na prática, estabelecer limites pode ser muito mais difícil do que parece.
Algumas pessoas percebem que frequentemente fazem coisas que não gostariam, assumem responsabilidades que não são suas ou permanecem em situações que lhes causam sofrimento por medo de decepcionar alguém. Outras conseguem identificar o que sentem, mas encontram dificuldade para transformar essa percepção em uma atitude.
E, muitas vezes, o que aparece depois de um limite é a culpa.
Por que dizer “não” pode ser tão difícil?
Aprendemos a nos relacionar desde muito cedo. Ao longo da nossa história, construímos maneiras de buscar reconhecimento, pertencimento e segurança nas relações.
Por isso, colocar um limite não envolve apenas a situação presente. Em alguns casos, pode mobilizar medos mais antigos: o medo de ser rejeitado, de decepcionar, de perder o afeto do outro ou de deixar de ser visto como uma “boa pessoa”.
É possível, então, saber racionalmente que não é preciso aceitar tudo e, ainda assim, sentir culpa ao dizer não.
Isso acontece porque estabelecer um limite não significa apenas recusar algo. Significa também sustentar a própria posição diante do outro.
Cuidar de si não significa deixar de considerar o outro
Existe uma ideia de autocuidado que pode transformar qualquer relação em uma disputa entre “minhas necessidades” e “as necessidades do outro”.
Mas colocar limites não significa ignorar aquilo que o outro sente.
É possível considerar o outro e, ao mesmo tempo, considerar a si próprio.
Um limite pode dizer: “Eu compreendo que você precisa disso, mas eu não consigo oferecer dessa forma.”
Ou ainda: “Eu gosto de você, mas essa situação não está sendo boa para mim.”
O limite não precisa ser uma punição, uma ameaça ou uma tentativa de controlar o comportamento de alguém. Ele pode ser simplesmente o reconhecimento de até onde você consegue ir sem ultrapassar aquilo que é importante para você.
Quando o limite vem acompanhado de culpa
Sentir culpa depois de estabelecer um limite não significa necessariamente que você fez algo errado.
Às vezes, a culpa aparece justamente porque você está fazendo algo diferente do que costumava fazer.
Se durante muito tempo você esteve disponível para resolver problemas, agradar, evitar conflitos ou assumir responsabilidades pelos outros, começar a dizer “não” pode produzir estranhamento.
Nesse processo, talvez seja importante perguntar:
“Estou fazendo algo que realmente considero errado ou estou apenas deixando de fazer aquilo que o outro esperava de mim?”
Essa diferença pode abrir espaço para uma relação mais cuidadosa consigo mesmo.
O limite começa antes do “não”
Muitas vezes, pensamos que estabelecer limites significa aprender a dizer “não”. Mas o limite começa antes disso.
Começa na possibilidade de perceber o que você sente.
O que está incomodando?
O que você gostaria de fazer?
O que você está fazendo apenas por obrigação?
Em quais situações você sente que precisa se explicar o tempo todo?
Quais responsabilidades você assumiu que talvez não sejam suas?
Nem sempre temos respostas imediatas para essas perguntas. E tudo bem.
Reconhecer os próprios limites pode ser um processo de construção, especialmente quando passamos muito tempo olhando para as necessidades dos outros antes de perceber as nossas.
Autocuidado também é reconhecer que você tem limites
Não precisamos esperar chegar ao esgotamento para perceber que algo ultrapassou aquilo que conseguimos sustentar.
Cuidar de si também pode significar reconhecer que você não pode estar disponível o tempo inteiro, resolver todos os problemas, corresponder a todas as expectativas ou manter todas as relações exatamente como o outro gostaria.
E talvez uma das partes mais difíceis seja aceitar que, mesmo quando estabelecemos um limite necessário, o outro pode não gostar dele.
Isso não significa que o limite esteja errado.
Uma relação saudável não é aquela em que ninguém se frustra. É aquela em que existe espaço para que cada pessoa possa existir sem precisar abrir mão constantemente de si mesma para preservar o vínculo.
Aprender a estabelecer limites, portanto, não é simplesmente aprender a dizer “não”.
É também aprender a escutar o próprio desejo, reconhecer as próprias necessidades e compreender que cuidar de si não precisa significar deixar de cuidar dos outros.
Às vezes, o autocuidado começa justamente quando conseguimos reconhecer: “isso eu posso oferecer; isso, não.”
Quem sou eu?

Pedro Ivo de Oliveira Cardoso
CRP:

04/64389
Atendimento:
Presencial, Online
Olá! Sou Pedro, psicólogo clínico, e ofereço um espaço de escuta acolhedora, ética e sem julgamentos. Meu trabalho é inspirado pela abordagem existencial-fenomenológica, que busca compreender cada pessoa a partir de sua experiência singular, da forma como vivencia o mundo, suas relações, escolhas, angústias e possibilidades.
A terapia pode ser um momento para desacelerar, olhar com mais atenção para o que você está vivendo e construir novas formas de se relacionar consigo mesmo, com os outros e com a própria história. Não trabalho com respostas prontas ou fórmulas universais: acredito que o processo terapêutico se constrói a partir do encontro entre terapeuta e paciente, respeitando o tempo, a história e as possibilidades de cada pessoa.
Atendo adultos e adolescentes que estejam passando por momentos de sofrimento emocional, dificuldades nos relacionamentos, conflitos familiares, questões relacionadas ao trabalho, mudanças e transições de vida, entre outras situações que possam estar tornando a experiência de viver mais difícil.
Meu objetivo é oferecer um espaço em que você possa falar sobre aquilo que está vivendo com liberdade e segurança, buscando compreender sua experiência e encontrar, junto comigo, caminhos possíveis para lidar com ela.
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