
“As mulheres modernas estão mais afastadas do corpo e das energias femininas, e isso poderia explicar parte de suas dificuldades e medos diante do parto.”
Quando lemos uma frase como essa, é comum pensar que “energia feminina” significa delicadeza, submissão ou um retorno a papéis tradicionais de gênero. Mas não é disso que a Psicologia Junguiana está falando.
Para Jung, o feminino é uma dimensão psíquica presente em todas as pessoas. Está relacionado à capacidade de sentir, intuir, acolher, criar, transformar e se conectar com os próprios ciclos da vida.
E talvez seja justamente aí que mora uma questão importante.
Vivemos em uma cultura que nos ensina, desde cedo, a controlar, produzir, acelerar, racionalizar e desconfiar dos sinais do corpo. Aprendemos a ignorar o cansaço, a silenciar emoções, a desconectar da nossa própria experiência interna.
Quando uma mulher se aproxima do parto, ela se encontra diante de um processo que não pode ser totalmente controlado. O parto exige presença, entrega, escuta do corpo e tolerância ao desconhecido. E isso pode ser profundamente assustador para quem passou a vida inteira aprendendo que precisa estar no comando de tudo.
Talvez o medo do parto não esteja apenas relacionado à dor ou aos riscos que ele envolve.
Talvez ele também fale sobre o quanto fomos nos afastando da sabedoria do corpo, da confiança em nossos processos internos e da capacidade de habitar o que não pode ser previsto.
Reconectar-se com o corpo não significa romantizar a maternidade ou abandonar a ciência.
Significa reconhecer que existe conhecimento também nas sensações, nas emoções e na experiência vivida.
E talvez, em uma sociedade tão desconectada de si mesma, essa seja uma das reconexões mais difíceis, e mais necessárias.
O que essa frase desperta em você? Concorda ou discorda?
Caso esteja passando por uma experiência gestacional e de parto complexa, estou por aqui. Entre em contato!





