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Quando amar demais parece castigo

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20 feb 2026

Jéssica Vieira Soares Bastos

00:00 / 01:04
Psicologia

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No livro Lirismo, Melancolia e Poesia (Marcia Moura Coelho), a autora descreve a melancolia como um estado de saudade primordial, como se o sujeito tivesse experimentado em algum plano a sensação de totalidade e ao se defrontar com a realidade mundana, se percebe dotado de um vazio existencial. Nascemos e a sensação muitas vezes é de que estamos despreparados, somos desejantes do todo, no entanto, a vida solicita de nós que façamos escolhas, mas talvez tenham esquecido de nos explicar, que ao decidir por um, seria necessário abrir mão de dez outras possibilidades.

Acontece que no amor também não é diferente, queremos amar, alguns em profundidade e outros talvez na superfície, por medo de se "afogar" metaforicamente nas águas e nos sentimentos dos outros, e em especial nos próprios. Fato é, que o tema do amor talvez seja um dos mais falados nas rodas de conversas, nos happy hours entre amigos e claro em psicoterapia.

Buscamos a princesa que precisa ser salva, o herói forte e destemido e seu cavalo branco, Helena de troia a sedutora, o boto cor de rosa ou quem sabe uma figura sábia; É claro que estou brincando com símbolos da nossa cultura, existem diferentes características que os sujeitos procuram em seus parceiros, mas o que há de comum entre eles, é que frequentemente procuramos no outro uma tal completude, algo em que possamos nos fundir, nos tornando um, para assim, viver a fantasia que nos venderam do FELIZES PARA SEMPRE.

Mas como nem só de fantasia se faz a realidade objetiva, logo percebemos que o outro não dá conta de suprir com as minhas expectativas e a frustração é certeira. As defesas do nosso ego começam a aparecer, para uns, é mais fácil ultrapassar a linha de chegada, e como diria Ariana grande "Thank you! Next" (Obrigada! Próximo). Se por um lado, essa atitude reduz a chance de permanência em relacionamentos abusivos ou que já não nutrem mais, por outro lado quando em demasia, *podem* (não necessariamente levarão) levar a dificuldade de se estabelecer em uma relação com entrega real e possível. Para outros, as defesas ao fim da fantasia *podem*(Cada caso é único) se tornar o combustível para a permanência, mesmo que isso signifique precisar moldar a si mesma(o) para tentar retornar a idealização de completude anterior.

Aqui talvez esteja o grande perigo, não "apenas" de permanecer em relacionamentos tóxicos, mas também de inconscientemente, às vezes, sem nem a solicitação externa (ao menos não explicitamente), o sujeito começa a se perder de si mesmo. Talvez no início possa parecer o "certo" a se fazer, afinal de contas, nos relacionamentos, é preciso ser flexível, no entanto, quando flexibilidade se confunde com podar os galhos da árvore todas as vezes que ele cresce, a sensação é de perda da alma e a dor é grande.

Há um livro, cujo título eu acho super intrigante: A gente mira no amor e acerta na solidão da Ana Suy, que parece trazer a mesma ideia de que os relacionamentos são na verdade, um convite a olhar para si, para os próprios vazios e não para se completar do outro. Veja, não é que não possa existir trocas dentro do relacionamento, na verdade, talvez esse seja o objetivo, todavia, o desafio talvez esteja em acreditar que o outro DEVE suprir aspectos que também precisamos olhar internamente.

A jornada para aprender a dialogar com nossas faltas e vazios é complexa, mas talvez seja uma etapa importante para que possamos nos relacionar em alteridade com o outro e todas as suas imperfeições, mas também respeitando a nossa individualidade, sem nos perder por completo; afinal não existem pessoas prontas, mas sim pessoas em busca da sua individuação.

Este texto não tem por objetivo reduzir aspectos múltiplos do amor a uma única face, mas sim, provocar reflexões a partir de uma perspectiva sobre o amar, melancolia e a solidão.

Quem sou eu?
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Larissa Sardi Fagiolo Montanher

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Atendimento:

Online

Olá! Me chamo Larissa, sou psicóloga clínica, graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desde 2017. Minha atuação é fundamentada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), abordagem que busca compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, promovendo o autoconhecimento e o desenvolvimento de estratégias para lidar com os desafios da vida.

Realizo atendimentos psicológicos a crianças e adultos, nas modalidades presencial e on-line, oferecendo um espaço de escuta, acolhimento e cuidado, respeitando a individualidade e as necessidades de cada pessoa.

Acredito que cada pessoa carrega consigo uma história única, com sentimentos, experiências e desafios que merecem ser acolhidos com carinho e respeito. Por isso, meu objetivo é oferecer um espaço seguro, leve e livre de julgamentos, onde você possa se sentir à vontade para falar sobre o que sente e vivencia.

Na psicoterapia, caminhamos juntos em um processo de autoconhecimento, compreensão das emoções e desenvolvimento de recursos para lidar com as dificuldades do dia a dia. Cada etapa é conduzida com escuta sensível, empatia e respeito ao tempo e à individualidade de cada pessoa.

Você não precisa ter todas as respostas para começar. A terapia pode ser um espaço para se conhecer melhor, fortalecer-se emocionalmente e construir novas possibilidades para sua vida.

Valor da Sessão / Tempo de duração

R$ 40,00

/

40 minutos

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