
Quando Freud disse que, ao falar de alguém, acabamos mostrando mais de nós mesmos do que da outra pessoa, ele apontou algo muito presente no nosso dia a dia. Sempre que contamos uma história, damos uma opinião ou fazemos uma crítica, colocamos ali nossas experiências, sentimentos e formas de ver a vida. Falar nunca é neutro. Cada palavra carrega um pouco de quem fala.
Isso acontece porque falar não é apenas transmitir uma informação. É também se colocar no mundo, se mostrar e tentar se conectar com o outro. Quando alguém fala, o outro não escuta tudo do mesmo jeito. Cada pessoa entende a partir da própria história, das próprias vivências e do momento que está vivendo. Por isso, a mesma fala pode ser sentida de formas muito diferentes.
Um exemplo simples disso está na televisão. Quando um apresentador olha para a câmera, parece que está falando diretamente com quem está assistindo. Dá uma sensação de proximidade, quase como uma conversa. Mesmo sabendo que milhões de pessoas estão vendo ao mesmo tempo, cada um sente que aquela fala é “para si”. Isso mostra como a forma de falar cria vínculos e provoca sentimentos.
Mas essa proximidade não é por acaso. Existe sempre uma intenção por trás da forma como algo é dito. Na televisão, nas redes sociais ou nas conversas do dia a dia, as palavras são escolhidas para causar um efeito: convencer, agradar, informar ou emocionar. Isso não significa que seja algo ruim, mas é importante perceber que toda fala tem um objetivo.
Além disso, o sentido de uma fala não está só no que é dito claramente. Muitas vezes, o mais importante está nas entrelinhas, no tom de voz, nas pausas e até no silêncio. O que não é dito também comunica. Por isso, entender alguém vai muito além de escutar as palavras; envolve perceber o contexto e a relação entre quem fala e quem escuta.
Na psicoterapia, olhar para a própria fala pode ser um caminho valioso. Quando a pessoa começa a prestar atenção no que diz, em como diz e em quem coloca nas suas histórias, ela pode descobrir muito sobre si mesma. Falar de dores, conflitos e relações é, muitas vezes, uma forma de começar a se escutar — e esse pode ser um primeiro passo importante para o cuidado emocional.
Geovanna Moreira Bastos | Psicóloga e psicanalista - CRP 01/30116
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