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Relações abertas e seus afetos

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11 feb 2026

Kauany Thalita Marmintini

00:00 / 01:04
Saúde mental

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Por que demonstramos o amor da maneira que demonstramos? Por que escolhemos nos relacionar da forma que nos relacionamos? O que nos faz ficar ou sair de uma relação? Existem outras possibilidades de amar? Como os afetos, a história ou a política regulam as diferentes formas de estabelecer relações amorosas?

 

Afetar-se é pegar uma paixão para chamar de sua, é compor com o Outro em seu encontro, pois todo afeto dá-se na experiência, a partir do corpo, de onde se irradiam todos os lugares possíveis, somos para nós e somos para e com o outro.

 

Entendemos que os afetos não são intrínsecos ao corpo, o que há no corpo é a potência de ser, existir, construir, amar, lutar. À medida que esse corpo encontra outro e é afetado, suas afecções e potências de agir estabelecem um Encontro, ele é esse lugar de convergência, onde os corpos hora vão de encontro, hora ao encontro. Dessa maneira, não é o afeto em si - como uma pessoa deseja, interpreta, sente algo - que será determinante para dizer sobre a qualidade de uma relação, mas o Encontro dessas existências. Esse Encontro compõe comigo? Ou me decompõe?

 

Uma vez que entendemos a dimensão política e histórica das nossas escolhas afetivas, sabemos que o escolher ficar é escolher manter-se em um papel, continuar a desempenhá-lo, conforme as perspectivas que posicionam os sujeitos nesta relação.

 

Questionar o ideal utópico de amor romântico não é duvidar da integridade e qualidade dos sentimentos individuais de amor e afeto, mas sim colocar em perspectiva as bases geradoras das expectativas de um casal, onde passa a ser justificada a dedicação absoluta ao ser amado em nome do amor.

 

Dentro da instituição “casal”, os ciúmes podem reinar acima do amor, pois entende-se que se houve a entrega e o consentimento uma vez, esse agora é permanente, faz parte do contrato, entrelaçando o social com o sexual, o Estado com a família, o amor com a dominação. Mas quais são os termos do contrato entre um homem e mulher que estabelecem uma relação heterossexual e monogâmica? O casal define esses termos ou, numa lógica patriarcal e capitalista, se pressupõem as regras desta relação?

 

Então quais escolhas podemos e devemos fazer sobre nosso corpo? A liberdade relacional devia incluir a possibilidade e autonomia afetiva para poder acessar desejos e relações outras, mas também a possibilidade de desfazer relações destrutivas, de estabelecer limites firmes.

 

Para repensar traição, enquanto uma dimensão que articula afeto, cuidado e política de exclusividade sexual, cabe também a reflexão sobre os aspectos do amor. Dado momento, pode remeter à lealdade, respeito e carinho, mas é importante explorar a amplitude desses termos e valores, não somente aceitar a maneira como esses conceitos são significados e validados.

 

A problemática das relações monogâmicas não gira em torno de sua prática afetiva ou diretriz relacional, mas sim, em sua obrigatoriedade social, a mononormatividade, que fundamenta as monoculturas cultivadas pela colonialidade. De tal forma, para além de questionar o número de parceiros na relação, uma análise não-monogâmica pode abrir a reflexão para outros acordos e ressignificações do que se define enquanto amor e traição, não pautada em obrigações mas de abertura para outras composições.

 

Quando as relações conseguem se constituir com e por coletivos, existe uma potência subversiva muito latente, especialmente nas alianças entre mulheres. Assim, é possível pensar a amizade como uma raiz da liberdade, não se tem apenas uma por vez, uma amizade não diminui o sentimento pelas demais, as intensidades e importância são outras, ciúmes e controle não costumam ser indicativos de amizade - embora as amizades também possam se constituir como relações nocivas.

 

Ao criarmos redes relacionais que envolvam uma ética amorosa, através do vínculo, podemos desfazer padrões violentos e exaustivos. Mas é claro, ampliar relações, abrir amores, entregar-se ao encontro, por mais belas que sejam as propostas, o encanto da teoria não significa que sua prática seja fácil, sem dores e obstáculos. A vida é um rio correndo constante, não há linearidade nos afetos, há complexidade: amor e sofrimento, paixão e ciúmes, dor e alegria, angústia e perdão.

Foi e é, olhando para nós, vislumbrando a si, voltando-se primeiramente para dentro e posteriormente para quem nos acompanha, que é possível a entrega na completude do outro. É no conhecimento de si e no respeito com o todo que andamos rumo a criação da experiência, do somar, é uma viagem. Foi, e ainda é, uma jornada por surtos e amores, por movimentos que nos embalam e incorporamos à abundância que somos e nos fazemos constantemente.

 

A proposta deste texto é a busca pela reflexão e pelo sensível, não a oferta de receitas prontas para estilos de vida e relações, por isso, cabe mais uma vez a ponderação sobre o que se apresenta até nós, o que aceitamos e ofertamos. E o que deixamos? Por vezes, o apego, o apego ao controle, apego a um modelo pronto de conectar. A conexão surge da graça e da desgraça, do ficar e deixar partir, do partilhar o rio que somos, e assim também brincar. E se esse afeto foi profundo? Tocou teu ser e lavou tua alma? Penetrou e poluiu ou nadou, fluiu e foi rio contigo? Desague em si e nasça, acorde e morra, pulse com o que te faz vibrar, permita a batida que em ti habita… habitar.

 

Psicóloga Kauany Marmintini - CRP 12/27191

Psicóloga Maria Eduarda Dias Duarte CRP 12/201

Quem sou eu?
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Larissa Sardi Fagiolo Montanher

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Atendimento:

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Olá! Me chamo Larissa, sou psicóloga clínica, graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) desde 2017. Minha atuação é fundamentada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), abordagem que busca compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, promovendo o autoconhecimento e o desenvolvimento de estratégias para lidar com os desafios da vida.

Realizo atendimentos psicológicos a crianças e adultos, nas modalidades presencial e on-line, oferecendo um espaço de escuta, acolhimento e cuidado, respeitando a individualidade e as necessidades de cada pessoa.

Acredito que cada pessoa carrega consigo uma história única, com sentimentos, experiências e desafios que merecem ser acolhidos com carinho e respeito. Por isso, meu objetivo é oferecer um espaço seguro, leve e livre de julgamentos, onde você possa se sentir à vontade para falar sobre o que sente e vivencia.

Na psicoterapia, caminhamos juntos em um processo de autoconhecimento, compreensão das emoções e desenvolvimento de recursos para lidar com as dificuldades do dia a dia. Cada etapa é conduzida com escuta sensível, empatia e respeito ao tempo e à individualidade de cada pessoa.

Você não precisa ter todas as respostas para começar. A terapia pode ser um espaço para se conhecer melhor, fortalecer-se emocionalmente e construir novas possibilidades para sua vida.

Valor da Sessão / Tempo de duração

R$ 40,00

/

40 minutos

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