
Eu sei que quando paro de me exercitar fico mais ansiosa, menos organizada e com a cabeça mais pesada. Sei disso com todas as letras. Estudo isso. Trabalho com isso todos os dias no consultório.
E mesmo assim eu parei.
Não foi falta de informação. Foi sabotagem. E demorei para admitir isso para mim mesma.
A gente costuma achar que sabotagem é quando a pessoa não sabe o que está fazendo. Mas na maioria das vezes é exatamente o contrário, a pessoa sabe, e faz mesmo assim. Ou melhor: deixa de fazer. Abandona. Evita. Adia.
E fica se perguntando por quê.
O que o inconsciente tem a ver com isso
Jung explicava esse fenômeno de um jeito que nunca mais saiu da minha cabeça: o inconsciente não quer o que é bom para você. Ele quer o que é familiar. E familiar pode ser o caos, pode ser o sofrimento, pode ser a estagnação, desde que seja conhecido.
Isso acontece porque o inconsciente entende o novo como ameaça. Mesmo quando o novo é saúde. Mesmo quando o novo é leveza. Mesmo quando você conscientemente quer muito aquilo.
O sistema psíquico aprende, ao longo da vida, o que é seguro e seguro não significa bom. Significa previsível. Significa conhecido. Significa "já sobrevivi a isso antes".
É por isso que você sabota o relacionamento que finalmente te trata bem. É por isso que trava quando o projeto começa a dar certo. É por isso que abandona a rotina de cuidado justamente quando ela estava funcionando.
Não é fraqueza. Não é falta de força de vontade. É o psiquismo tentando te proteger do desconhecido, mesmo quando o desconhecido é exatamente o que você precisa.
A pergunta que importa
Quando entendemos isso, a pergunta muda. Não é mais "por que eu faço isso?", porque essa pergunta tende a virar crítica, vergonha, mais uma prova de que algo está errado com você.
A pergunta que realmente move algo é outra: o que dentro de mim ainda acredita que eu não mereço o que é bom?
Essa pergunta não tem resposta fácil. Ela pode mexer com coisas antigas, com histórias que a gente achou que tinha deixado para trás, com crenças que nem sabia que carregava.
Mas fazê-la para si mesma, com honestidade e sem julgamento, já é um ato corajoso. E às vezes é exatamente daqui que começa uma transformação real.
Se essa pergunta ficou ecoando em você, preste atenção nisso. O eco já é uma resposta.
E se você sente que precisa de um espaço para ouvir essa resposta com mais calma, um espaço só seu, de escuta qualificada e sem julgamento, saiba que a psicoterapia pode ser exatamente esse lugar. Um processo terapêutico não te diz o que fazer. Ele te ajuda a entender o que, dentro de você, ainda está impedindo que você faça.
Se quiser dar esse passo, estou aqui. Me encontre aqui abaixo.
Thainá
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