
Em algum momento da vida, talvez você tenha aprendido que se calar era mais seguro. Que sentir demais, falar demais ou se expor demais era sinônimo de problema. E, aos poucos, o silêncio foi se tornando um abrigo, desconfortável, das conhecido. Você parou de dizer o que pensa, de pedir o que precisa, de mostrar o que sente. E, sem perceber, parou também de se ouvir.
Comportamentos como esse têm uma função,: eles nascem para proteger. Quando o ambiente não é acolhedor, o cérebro aprende que o silêncio evita rejeição, evita conflito, evita dor. Só que, com o tempo, essa "proteção" passa a custar caro. Você se desconecta das próprias necessidades, se confunde com o que o outro espera e começa a viver em modo automático, reagindo, mas sem realmente se perceber.
Ouvir-se é um ato de coragem. Significa olhar para dentro. Reconhecer o que sente, o que pensa. É dar um nome a. Que dói, ao que incomoda, ao que foi negado por tanto tempo. É começar a transformar o hábito de silenciar em um gesto de cuidado. Esse movimento começa pela consciência: observar pensamentos, identificar emoções, reconhecer padrões. A cada passo, você vai percebendo que existe um espaço entre o sentir e o reagir.
Às vezes, a voz interna vem tímida, trêmula, desacostumada a ser acolhida. Outras vezes, vem confusa, misturada com culpa ou medo. E tudo bem, terapia não é sobre foraçar o que foi calado a gritar, mas sobre criar um ambiente seguro para que essa voz volte a existir. Afinal quando você se ouve, começa a existir de forma mais inteira.
Vitoria Eugenia Luz Alcoforado | Psicóloga | CRP: 03/33622





