
Muitas vezes, a forma como nos constituímos enquanto sujeitos, especialmente a partir das nossas primeiras interações na infância, com familiares e pessoas próximas, nos leva a construir uma crença silenciosa: a de que o nosso valor está condicionado à nossa capacidade de sermos úteis.
Aos poucos, deixamos de reconhecer o valor que existe na nossa essência e passamos a acreditar que só somos desejados, queridos ou importantes quando temos algo a oferecer.
Essa lógica cria um vínculo perigoso: o afeto passa a depender da performance.
E, a partir disso, surgem comportamentos que parecem virtudes, mas que, na verdade, escondem um custo emocional alto:
você tenta “abraçar o mundo”, assume responsabilidades que não são suas, tem dificuldade em delegar, sente que precisa estar disponível o tempo todo e, no fundo, carrega o medo de que, ao falhar, será abandonado ou deixará de ser digno de afeto.
Mas vale uma pausa para algumas perguntas importantes:
Quem não falha?
Quem, de fato, dá conta de tudo?
Por que a sua régua precisa ser mais alta do que a dos outros?
Se você observar de forma mais racional, provavelmente vai perceber que muitas das pessoas ao seu redor permanecem não pelo que você faz, mas por quem você é: pela sua presença, pela sua personalidade, pela sua forma de existir no mundo.
E aquelas que só se aproximam quando há utilidade envolvida… Talvez precisem ser revistas. Nem toda relação precisa ser aprofundada, algumas são, de fato, apenas convenientes.
Reconhecer isso não é endurecer, é se posicionar.
Você pode, sim, ser alguém presente, disponível e prestativo. Mas isso não pode custar o seu limite, nem definir o seu valor.
Seu valor não está no quanto você entrega.
Está no que você é.
E isso, por si só, já é suficiente.
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