
Você pode vencer todas as provas. E continuar se sentindo réu.
Sobre quando o valor próprio vira um tribunal — e por que nenhuma conquista encerra um julgamento que acontece por dentro.
1 sept 2026
Arthur Almeida Caram Andre
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Existe um tipo de cobrança que não termina quando você consegue.
Você entrega. Cresce. É reconhecido. Faz mais do que imaginava ser capaz.
Por alguns instantes, vem o alívio.
Depois a régua se move.
O que era conquista vira obrigação. O extraordinário vira mínimo. E aquilo que ainda falta volta para o centro como se todo o resto nunca tivesse acontecido.
"Você não está tentando provar que é capaz. Está tentando produzir evidência suficiente para finalmente deixar de se sentir insuficiente."
Quando o reconhecimento foi condicionado demais ao desempenho — ser bom, útil, inteligente, não incomodar, corresponder — uma associação pode se formar cedo:
valor precisa ser demonstrado.
Não basta existir.
É preciso apresentar provas.
E o problema de um valor construído assim é que ele nunca parece definitivamente seu. Precisa ser renovado o tempo todo.
É aqui que o superego encontra uma estratégia perfeita: ele não precisa dizer que você fracassou.
Basta dizer:
ainda não é suficiente.
Você alcança uma meta, surge outra.
Recebe um elogio, encontra uma razão para desqualificá-lo.
Se conseguiu, talvez não fosse tão difícil.
Se foi difícil, talvez pudesse ter conseguido antes.
Se foi excelente, alguém fez melhor.
"Nenhuma conquista consegue absolver alguém que ainda não sabe de que está sendo acusado."
Na leitura psicanalítica, o juiz externo eventualmente se torna interno.
O chefe muda.
O parceiro muda.
A família muda.
A audiência muda.
Mas a pergunta continua:
o que preciso fazer para merecer meu lugar?
E por isso o reconhecimento externo dura tão pouco.
Ele chega.
Mas encontra uma crença anterior dizendo que ainda falta alguma coisa.
O cérebro normaliza a conquista. O superego transforma essa normalização em nova cobrança.
E o ciclo recomeça.
"Você conquista para finalmente se sentir suficiente. Depois incorpora a conquista ao mínimo necessário para continuar se sentindo insuficiente."
É por isso que conquistar mais pode aumentar currículo, dinheiro, competência e admiração — sem necessariamente produzir paz.
Porque o problema não é a quantidade de provas.
É a existência do tribunal.
A pergunta, então, deixa de ser:
o que ainda preciso conquistar para me sentir suficiente?
E passa a ser:
por que meu valor continua dependendo de eu provar alguma coisa?
Você não precisa abandonar a ambição.
Precisa distinguir duas coisas muito diferentes:
fazer porque deseja
e
fazer para merecer.
Uma produz expansão.
A outra produz dívida.
Talvez não estejam faltando provas.
Talvez esse julgamento já devesse ter terminado há muito tempo.
Quem sou eu?

Julia Vedovatto Orlando
CRP:

06/230791
Atendimento:
Online
Prazer, sou Julia.
Trabalho direcionada com adolescentes, adultos e idosos, nos formatos presencial, em Bauru, e on-line.
A terapia pode ser um espaço para compreender melhor a si mesmo, perceber padrões e construir novas formas de lidar com aquilo que faz parte da sua vida. Parte do nosso trabalho juntos é compreender suas necessidades e, a partir delas, construir um plano terapêutico que faça sentido para você.
Uso a ACT como base: uma abordagem comportamental, que não busca eliminar o que você sente, mas ampliar sua capacidade de lidar com isso sem que pensamentos e emoções ditem suas escolhas.
Meu trabalho é diretivo e comprometido com um processo que faça sentido na prática, porque a terapia precisa fazer sentido também fora do consultório, com foco no desenvolvimento da sua autonomia.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 60,00
/
40 minutos
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