Dsm & Psicanálise

Na área da saúde mental, o psiquiatra Emil Kraepelin (1856-1926) como o médico responsável pelo desenvolvimento do primeiro sistema de classificação, que tendo como base a fenomenologia, considerava a origem orgânica das doenças psiquiátricas. Ele, então, buscou identificar padrões de sintomas que permitissem construir diagnósticos sindrômicos, que é um agrupamento amplo de prováveis agentes patogênicos envolvidos em um sintoma.

A descrição de sintomas observáveis foi introduzida no campo psicopatológico, uma simples classificação de grupos, cuja unidade se forma a partir de critérios de repetição e de duração. Com o intuito de estabelecer agrupamentos de sintomas, diagnósticos precisos e tratamentos equivalentes surgiu um instrumento capaz de dar uniformidade ao campo da saúde mental: o manual de diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. O DSM é um manual que tem a proposta de formalizar características e comportamentos que dizem de doenças ou distúrbios mentais. É dele que se tiram as classificações diagnósticas, como depressão, ansiedade, esquizofrenia, TOC e demais diagnósticos. E pode ser que você já tenha ouvido que psicanalista s não trabalham com esses diagnósticos. Mas por que? Todas as edições do DSM refletem a procura de uma unificação de perfil teórico e epistemológico focando somente na topografia dos comportamentos. A teoria psicanalítica não trabalha com esse método postulado nos manuais estatísticos uma vez que há uma desconsideração da fala dos pacientes como instrumento válido de diagnóstico e de tratamento, não leva em consideração uma articulação sobre o que são e como são aqueles sintomas para o paciente.

Para nós, que trabalhamos com a psicanálise lacaniana, o discurso é o ponto essencial para nosso trabalho, logo nosso diagnóstico parte de um outro lugar, com um outro intuito. Utilizamos o diagnóstico estrutural, que baseia-se nos modos de organização discursiva de um sujeito com a linguagem. Sendo elas a neurose, a psicose e a perversão. Esses diagnósticos nos servem como uma forma de orientação em nossos manejos clínicos e tais diagnósticos não estão relacionados com os sintomas, com o fenômeno, mas sim com o discurso e da relação do eu com o Outro e o que vem disso. E é importante ressaltar que o diagnóstico serve ao psicanalista e não ao analisando. E vocês podem estar pensando: então eu não posso falar do diagnóstico que recebi do psiquiatra na análise? Sim, você pode! Nós não desconsideramos os diagnósticos trazidos pelos pacientes, porém não os tomamos como algo já dado, nós pedimos que o paciente articule, que ele fale sobre esse diagnóstico, para ouvirmos o discurso dele e as ligações que podem, ou não, serem feitas a partir dessa nomeação do conjunto de seus sintomas.

É importante esclarecer que não tenho a intenção, aqui, de desqualificar a psiquiatra e o DSM, mas sim,

a pretensão de trazer uma diferenciação que a Psicanálise tem em relação aos diagnósticos fechados escritos no manual. E com isso poder também trazer um pensamento crítico ao campo da saúde mental na atualidade.




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