top of page

A dificuldade de confiar: quando o medo de se entregar fala mais alto

9 de out. de 2025

Psicóloga Andreza Fonseca Lima -CRP 11/23449

Autoconhecimento
Terappia Logo

Confiar é um ato profundamente humano, mas também um dos mais desafiadores. Implica abrir espaço para o outro, permitir que ele acesse partes nossas que nem sempre mostramos — nossas inseguranças, dores e vulnerabilidades. E, justamente por isso, para muitas pessoas, confiar é um processo cheio de medo e resistência.

 

A dificuldade de confiança costuma nascer de experiências anteriores marcadas por decepções, rejeições ou abandonos. Quando alguém é ferido emocionalmente, o psiquismo aprende a se proteger. Cria-se uma espécie de armadura: o medo de ser enganado, o controle excessivo, a dificuldade de acreditar nas intenções do outro. Essas defesas têm uma função — evitar novas dores — mas também acabam impedindo o acesso a vínculos genuínos e afetos verdadeiros.

 

Na visão psicanalítica, a confiança tem suas raízes nas primeiras relações da vida. É no olhar e no cuidado dos primeiros vínculos que aprendemos, de forma inconsciente, se o mundo é um lugar seguro ou ameaçador. Quando esse olhar falha — quando o bebê sente que não é acolhido ou compreendido — pode se formar uma marca profunda de desconfiança.

Na vida adulta, isso pode se manifestar como medo de se envolver, necessidade de controle, ciúmes ou até isolamento afetivo. A pessoa deseja se aproximar, mas teme se perder nessa entrega.

 

O processo terapêutico oferece um espaço para reconstruir essa confiança. A relação entre paciente e terapeuta é, muitas vezes, o primeiro vínculo em que é possível experimentar a segurança de ser escutado sem julgamento. Aos poucos, o sujeito vai percebendo que pode se abrir sem ser invadido, ser visto sem ser ferido.

 

Aprender a confiar de novo é um ato de coragem. É aceitar que o outro é sempre um mistério, mas que, mesmo assim, vale a pena arriscar-se no encontro humano.

Últimas publicações desse Terappeuta

bottom of page