
Embora sejam transtornos diferentes, a ansiedade e a depressão muitas vezes caminham lado a lado, confundindo quem sente e até quem observa de fora. Ambas trazem sofrimento, mas de formas distintas — como se uma puxasse para o excesso e a outra para a falta.
A ansiedade é o medo do que ainda não aconteceu. É a mente que corre antes do tempo, tentando prever, controlar e evitar o que pode dar errado. O corpo vive em alerta: o coração acelera, o sono se torna leve, a respiração curta. É o excesso de futuro — uma tentativa de se proteger da dor antes que ela exista.
A depressão, por outro lado, é o esvaziamento do presente. É como se a energia vital fosse drenada aos poucos. Tudo fica sem cor, sem gosto, sem sentido. O corpo pesa, a vontade some, e até as pequenas tarefas do dia parecem montanhas. É o excesso de passado e a falta de esperança.
Enquanto a ansiedade grita, a depressão silencia. Uma agita, a outra paralisa. Mas ambas pedem escuta, cuidado e tempo. Nenhum desses estados é “frescura” ou “falta de fé” — são expressões de uma dor psíquica que precisa ser compreendida e acolhida.
A psicoterapia, especialmente dentro da abordagem psicanalítica, oferece um espaço onde o sujeito pode se escutar de verdade. Entender o que há por trás da angústia, do medo e da tristeza é o primeiro passo para reconstruir o sentido da própria vida.
Falar sobre o que dói ainda é a forma mais humana de começar a se curar.





