
Vivemos em uma sociedade que celebra a chegada de um bebê com presentes, festas, mensagens e expectativas, mas esquece de olhar para quem o gesta.
As dores, os medos, as transformações e até a identidade da mulher ficam em segundo plano.
Depois do parto, muitas vezes a mulher deixa de existir como indivíduo.
Ela passa a ser “a mãe do fulaninho”.
As perguntas deixam de ser “como você está?” para se tornarem “como está o bebê?”.
E, aos poucos, ela se vê apagada, invisível, anulada pela mesma sociedade que a incentivou a ser mãe.
A maternidade no Brasil: entre o ideal e o abandono
Aqui no Brasil, ainda é muito forte a ideia de que ser mãe é uma obrigação, um destino natural, quase inevitável.
E com isso, as dores, as pressões e as vulnerabilidades da maternidade acabam sendo invalidadas.
É como se gestássemos bebês, mas nunca gestássemos mães.
Como se a mulher precisasse renascer sozinha, sem acolhimento, sem espaço para viver o luto do que ela deixa de ser ao se tornar mãe.
No meu trabalho como psicóloga obstétrica, vejo todos os dias o quanto essa realidade impacta profundamente.
Muitas mulheres chegam com um peso enorme: a culpa por não estarem “dando conta”, a solidão por não serem vistas, e a sensação de que perderam o próprio lugar no mundo depois que se tornaram mães.
A sociedade ainda não construiu espaço para acolher a maternidade de forma humana.
Mães também precisam ser cuidadas
Quase nunca se reconhece que a mãe também nasce junto com o bebê e que, como todo nascimento, esse também exige cuidado, escuta e apoio.
Você não desapareceu.
Existe uma mulher inteira em você, além do papel materno.
E essa mulher também merece ser olhada, amparada e reconhecida.
E se você não é mãe, mas convive com alguma, aqui vai um convite: Pergunte como ela está. Ofereça ajuda real. Reconheça o esforço e a dor que também fazem parte dessa jornada.
Gestar mães é uma responsabilidade coletiva.
E você, já se sentiu invisível depois da maternidade? Ou conhece alguém que precise ser lembrada de que ela também importa?
✨ Se essa dor tem pesado no seu coração, a psicoterapia pode ser um espaço de acolhimento para você se fortalecer e aprender a lidar com essas culpas de forma mais leve.
📍Se sentir que é o seu momento, estou à disposição para caminhar com você nesse processo




