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Por que sentimos culpa até quando fazemos o que é certo

7 de out. de 2025

Psicóloga Andreza Fonseca Lima -CRP 11/23449

Autoconhecimento
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A culpa é um dos sentimentos mais presentes — e, muitas vezes, mais difíceis de compreender. Ela aparece em situações nas quais, racionalmente, sabemos que agimos de forma correta: ao colocar limites, ao encerrar um relacionamento que já não fazia sentido, ao escolher por nós mesmos. Mesmo assim, algo dentro de nós insiste em dizer que erramos.

Na visão psicanalítica, a culpa não está apenas ligada ao que fazemos, mas ao que sentimos e ao que acreditamos dever ao outro. Desde cedo, aprendemos a buscar aprovação, a corresponder às expectativas de quem amamos, e a associar amor à obediência. Assim, quando fazemos algo que rompe com essas expectativas — ainda que seja um ato de cuidado conosco —, o sentimento de culpa surge como uma forma inconsciente de tentar “reparar” o que imaginamos ter causado de dor ou desapontamento.

Muitos pacientes relatam esse conflito interno: “sei que fiz o que precisava, mas me sinto mal por isso”. É nesse espaço que a escuta analítica atua, ajudando o sujeito a perceber de onde vem essa voz que o acusa e o impede de se apropriar de suas escolhas.

Sentir culpa não significa necessariamente que fizemos algo errado — às vezes, é apenas o sinal de que estamos aprendendo a viver de um modo mais autêntico, menos pautado pelas exigências externas.

A terapia nos convida a transformar a culpa em reflexão, não em prisão. A compreender que escolher por si não é egoísmo, mas um ato de responsabilidade consigo mesmo. E, talvez, é justamente quando começamos a fazer o que é certo para nós que a culpa aparece — como resistência à liberdade de ser quem somos.

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