top of page

Qual a diferença entre Psicanálise e Psicologia Analítica?

A histórica discordância entre Freud e Jung

28 de abr. de 2026

Mateus Aviani Mesquita

00:00 / 01:04
Psicologia

Ouça esse artigo usando o player acima.

  • Texto em 4 linhas

  • ​Texto em 4 linhas

  • ​Texto em 4 linhas

  • Texto em 4 linhas

image_edited.png
Terappia Logo

Muito é dito sobre a querela entre Freud (psicanálise) e Jung (psicologia analítica). Entretanto, poucos conseguem evidenciar realmente o que estava no centro de toda a discussão. Por isso, resolvi redigir o presente texto, como forma de elucidar um pouco essa questão.

 

Primeiro, é importante ressaltar que Jung jamais quis desrespeitar Freud, a quem tinha muita estima. Em famosa entrevista de 1957 (disponível no YouTube), revela que escreveu sua obra Tipos Psicológicos, em certa medida, para fazer justiça à teoria de seu antigo colaborador. No livro, buscou demonstrar que a teoria freudiana tinha um lugar de direito a ocupar no tratamento de determinadas questões, apesar de não ter a abrangência terapêutica que Freud pretendia.

 

Todavia, a distinção é estrutural: em mais de uma ocasião, Freud afirmou categoricamente que os sintomas neuróticos são em essência satisfações substitutivas para desejos sexuais não realizados, enquanto Jung contrapõe: "homens ficam neuróticos quando se contentam com respostas insuficientes ou falsas às questões da vida”.[1]

 

Em O Espírito na arte e na Ciência, Jung dedica um capítulo especial a Freud, no qual elabora o problema freudiano de considerar os fenômenos psicológicos unilateralmente pelo prisma das pulsões sexuais: “a técnica de interpretação freudiana, enquanto permanecer sob a influência de suas hipóteses unilaterais e, por isso, falsas, é de uma arbitrariedade óbvia”.

 

Ainda assim, reconhece que Freud teve um verdadeiro papel revolucionário, ao considerar as neuroses segundo a história individual de cada pessoa, além de ter voltado um olhar cuidadoso para os sonhos.

 

Por fim, apesar de toda a querela, Jung não deixa de soltar um retumbante elogio:

 

“Freud não avançou naquela camada mais profunda do humano em geral. Não o devia e nem podia, sem tornar-se infiel à sua missão histórico-cultural. E esta missão ele cumpriu – missão suficiente para a obra gloriosa de toda uma vida.”[2]

 

[1] Citação do livro Memórias, Sonhos e Reflexões, de Carl Jung.

[2] Citação do livro O Espírito na Arte e na Ciência, de Carl Jung.

Últimas publicações desse Terappeuta

bottom of page