
Muitas mulheres carregam, em silêncio, por anos, histórias de relacionamentos abusivos.
O tempo passa e você continua com esse nó na garganta, dormindo e acordando, sabendo que seu abusador construiu, para o mundo, uma imagem irreal — bem diferente do que você conheceu de perto. Essa imagem de bom moço é a mesma que te encantou um dia: uma máscara insustentável na convivência diária.
Aquele homem que te prometeu o céu um dia fez da sua vida um inferno. Hoje, você assiste, ao longe, outras pessoas se encantarem com a máscara apresentada pelo mesmo homem.
Você sequer encontra palavras para expressar o que sente. E, mais uma vez, silencia. É isso que o relacionamento adoecedor faz: te rouba as palavras e parte de quem você era. Não há um prazo para se recuperar desses danos, e vai doer vê-lo seguir uma vida normal — pronto para continuar a destruir outras mulheres — enquanto você recolhe os próprios cacos. O nó na garganta, a sensação de injustiça, a certeza de que o seu silêncio desempenha um papel de conveniência nessa narrativa que ele construiu. A língua coça. Você coloca na balança a exposição e a autoproteção.
Quando uma mulher resolve tornar pública a dor que viveu em um relacionamento abusivo, ela escancara a própria ferida. E, nesse ato de coragem, pode acabar descobrindo que a violência não acabou ali: há um exército de pessoas na internet dispostas a prolongar seu sofrimento. Talvez você descubra que o abusador tem aliados em todas as partes, e talvez você seja acolhida por uma rede de apoio que te lembre o que é empatia. Ao expor o que viveu, você tira o peso das palavras que estavam aí, engasgadas, e dá a chance de outras mulheres se protegerem. Mas essa escolha precisa ser feita com sabedoria. Ela é sua, e de mais ninguém.
Não há prazo de validade para falar sobre a sua história. A discussão sobre violência contra a mulher precisa ser diária, porque somos mortas todos os dias. As feridas que rasgam o peito não se amarram à lógica temporal. O tempo de falar sobre o que você viveu é quando você estiver pronta para isso.
Beatriz Lira,
psicóloga de mulheres
CRP 18|8244
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Cuidar da saúde emocional é também uma forma de se escolher.
Sou psicólogo e acredito que cada pessoa tem sua própria história, suas dores e seus desafios.
Meu compromisso é oferecer escuta, acolhimento e respeito, construindo um espaço seguro onde você possa falar sobre o que sente, compreender suas emoções e encontrar novos caminhos para lidar com suas questões.
Você não precisa enfrentar tudo sozinho(a). Cuidar de si também é um ato de coragem.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 80,00
/
50 minutos
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