
A psicanálise não se mede pelo tempo cronológico da sessão, mas pelo tempo lógico do sujeito.
Os cinquenta minutos não encerram a análise; eles apenas marcam um corte. É justamente esse corte que permite que o dito continue a produzir efeitos. O inconsciente não se recolhe quando o paciente deixa o consultório. Ao contrário, ele insiste: nos atos, nos sonhos, nos lapsos, nos encontros e nas repetições.
Em uma perspectiva lacaniana, o analista não ocupa o lugar daquele que oferece respostas ou conduz a vida do paciente. Seu ato é sustentar um espaço em que o sujeito possa se haver com aquilo que o determina sem saber.
Uma interpretação não vale pelo instante em que é dita, mas pelos deslocamentos que ela provoca. Muitas vezes, seus efeitos aparecem dias, semanas ou meses depois, quando algo da repetição vacila e um novo significante encontra lugar.
Por isso, a análise não é um tempo passado no consultório. É uma experiência que atravessa a existência. O que se transforma não é apenas o sintoma, mas a posição do sujeito diante do seu desejo, da sua falta e do seu modo singular de habitar o mundo.
É no depois da sessão que, muitas vezes, o inconsciente continua seu trabalho. E é aí que a análise mostra que seu tempo nunca foi o do relógio, mas o do sujeito.





