
No final do século XVIII, nos fizeram acreditar que ser mãe era a mais nobre função de uma mulher
Não foi uma escolha. Foi uma construção.
Médicos, religiosos e filósofos se uniram para criar o mito do amor materno, a ideia de que a mulher era feita pela natureza para a maternidade, que isso era seu instinto, sua vocação, sua razão de existir. Elisabeth Badinter, filósofa francesa que estudou profundamente essa história, mostrou como esse ideal foi deliberadamente construído num determinado momento histórico e não é, como nos fizeram crer, uma verdade biológica universal.
Mas foi tão bem construído que até hoje vive no imaginário coletivo como se fosse da natureza das coisas. Como se questionar a maternidade como destino fosse questionar algo da ordem do sagrado.
O que o século XX trouxe — e o que esqueceu de trazer
Depois, no século XX, nos disseram que poderíamos também trabalhar. Uma conquista real e necessária. Mas incompleta.
Porque o mundo do trabalho foi adaptado para receber as mulheres. Mas não foi adaptado para receber as mães.
A licença dura quatro meses. Depois disso, você volta. No mesmo ritmo, com a mesma entrega, como se no intervalo não tivesse atravessado uma das transformações mais profundas da vida humana. E os dados confirmam o que as mulheres já sabem no corpo: pesquisas mostram que quase metade das mães brasileiras já perdeu uma oportunidade de emprego por ser mãe ou estar grávida. Após o término da licença-maternidade, uma parcela significativa dessas mulheres está fora do mercado de trabalho dois anos depois.
Nos deram acesso ao trabalho. Mas esqueceram de dividir o que ficou em casa. Cerca de 85% das mulheres no Brasil ainda vivenciam a jornada dupla, trabalho formal e cuidado dos filhos, ao mesmo tempo, como se fossem duas pessoas numa só.
E em nenhum momento desse processo alguém parou para perguntar: e você? Como você está dentro de tudo isso? O que você precisa? Quem você é além do papel que estamos te pedindo para desempenhar?
O que fica quando ninguém pergunta
Maternar sem se perder não é uma questão de força de vontade. Não é sobre ser mais organizada, mais eficiente, mais resiliente. Não é sobre encontrar o equilíbrio perfeito que as redes sociais prometem.
É uma questão estrutural.
De uma sociedade que construiu a maternidade como identidade total da mulher, depois exigiu que ela também desse conta de tudo o mais, da carreira, da casa, do relacionamento, da aparência, da saúde mental, e nunca parou para pensar que dentro de tudo isso existe uma mulher que também precisa de cuidado. De espaço. De existir para si mesma, não apenas para o que é esperado dela.
Na psicologia perinatal, vemos o quanto esse apagamento tem consequências reais. A depressão pós-parto, a ansiedade materna, o esgotamento que não passa, não são fraquezas individuais. São respostas previsíveis de mulheres que estão tentando dar conta de uma equação que não foi feita para ser resolvida sozinha.
O que é possível
Dá para maternar sem se perder. Mas não sozinha. E não sem apoio.
Não o apoio genérico de "peça ajuda", mas o apoio real, concreto, que reconhece o quanto essa jornada pesa e que não exige que a mulher comprove que está no limite antes de merecer cuidado.
Se você está dentro da maternidade e sente que foi se perdendo ao longo do caminho, que existe uma versão de você que ficou para trás em algum momento e você não sabe bem como voltar até ela, me encontre aqui abaixo na plataforma.
Me conta nos comentários: você sente que ainda existe dentro da maternidade?
Thainá
Quem sou eu?

Viviane dos Santos Cavalari
CRP:

06/224932
Atendimento:
Online
Sou psicóloga de orientação analítica (junguiana) e dedico minha escuta a acompanhar pessoas em suas jornadas de redescoberta, transformação e reencontro consigo mesmas.
Entendo a terapia não como um lugar de julgamentos ou de fórmulas prontas, mas como um espaço seguro de travessia. Na perspectiva junguiana, não olhamos para a sua dor, ansiedade, crises ou angústias apenas como sintomas a serem eliminados a qualquer custo — mas como convites do seu inconsciente para olhar para aquilo que precisa de atenção, cuidado e integração.
Valor da Sessão / Tempo de duração
R$ 60,00
/
60 minutos
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