
O início de um relacionamento amoroso costuma ser marcado por uma intensa paixão, onde a busca pelo outro é espontânea e a intimidade física flui com facilidade. No entanto, com o passar do tempo, é comum que muitos casais se deparem com um questionamento desconfortável: “Por que perdi o desejo pelo meu parceiro?”.
Antes de encarar esse cenário como o fim da linha ou como um sinal de que o amor acabou, é fundamental compreender a quebra de um grande mito social: o de que o desejo sexual é um motor que funciona sozinho, de forma 100% espontânea, para sempre.
O Desejo Espontâneo vs. Desejo Responsivo
Na Psicologia e na Sexologia moderna, compreende-se que o desejo sexual não é um botão liga/desliga. A pesquisadora Emily Nagoski (2015) introduz um conceito crucial para casais em relacionamentos estáveis: a diferença entre o desejo espontâneo e o desejo responsivo.
- Desejo Espontâneo: É aquele que surge do "nada", muito comum no início do namoro.
- Desejo Responsivo: É aquele que precisa de um estímulo prévio para aparecer. Ou Em outras palavras, você não sente o desejo antes de começar, mas sim durante o processo de intimidade, relaxamento e conexão com o outro.
Em relacionamentos longos, a rotina, o estresse, o cansaço e o acúmulo de tarefas diárias funcionam como verdadeiros "freios" do desejo. Esperar que o tesão surja espontaneamente em meio a preocupações financeiras ou exaustão mental é uma armadilha cognitiva.
A Perspectiva Comportamental e Cognitiva
Sob a ótica da comportamental, o desejo é influenciado por contingências ambientais e pensamentos automáticos. Se a interação com o parceiro passou a ser associada apenas a cobranças, discussões ou monotonia, o cérebro deixa de entender aquele momento como recompensador (reforçamento positivo).
Como apontam os terapeutas de casal, a intimidade não sobrevive apenas de amor; ela exige manutenção ativa. Conforme a literatura clássica de Lazarus (1987), as distorções cognitivas sobre o que "deveria" ser um casamento perfeito muitas vezes geram frustração, bloqueando a entrega emocional necessária para a sexualidade.
Como começar a virar o jogo?
Se você está vivenciando essa perda de desejo, o primeiro passo é a autocompaixão e o diálogo limpo com o parceiro. Aqui estão algumas estratégias fundamentais:
- Identifique os "Freios": O que está roubando sua energia? Estresse no trabalho? Falta de tempo a sós? Identificar e manejar os estressores externos é vital.
- Não espere a vontade vir para agir: No desejo responsivo, o contexto importa. Criar momentos de qualidade a dois, focar no toque afetuoso sem a obrigação do ato sexual em si, ajuda a desarmar a ansiedade de desempenho.
- Comunicação Assertiva: Expressar as necessidades e vulnerabilidades sem tom de acusação fortalece o vínculo afetivo, que é a base do desejo para a maioria das pessoas.
A flutuação do desejo sexual é um fenômeno normal e esperado ao longo da vida. Se a ausência de libido persistir e causar sofrimento significativo ao casal, a psicoterapia (individual ou de casal) oferece um espaço seguro e científico para compreender essas dinâmicas e reencontrar o caminho da conexão.
Referências Bibliográficas
LAZARUS, Arnold A. O mito do casamento feliz: como as falsas expectativas podem destruir um relacionamento. Rio de Janeiro: WVA, 1987.
NAGOSKI, Emily. Come as You Are: The Surprising New Science That Will Transform Your Sex Life. New York: Simon & Schuster, 2015.
Agende sua sessão individual ou para o casal. Posso te ajudar, um abraço com carinho sua Psi Keni. 35 9 8895- 6266.




