
Você já teve a sensação de que algo precisava mudar?
A ânsia por algo diferente, por uma vida que se encaixasse melhor no que você esperava para si. E mesmo assim, quando a possibilidade de mudança se aproxima, algo em você recua.
Às vezes não é medo de não conseguir mudar. É medo de conseguir.
Porque mudar não é só adotar novos hábitos ou novas escolhas. É questionar a imagem que você construiu de si mesma ao longo do tempo. E essa imagem, por mais que aperte, por mais que doa, é a única que você conhece. Você sabe sobreviver dentro dela.
Tem algo na sua vida que você mantém não porque quer, mas porque já sabe como sobreviver?
Quando crescemos, vamos aprendendo o que é esperado de nós, aquilo que gera aprovação e também, prejuízo. Internalizamos características, padrões e também sofrimentos. Com o tempo, construímos uma imagem de nós mesmas com a qual nos identificamos profundamente.
“Esta sou eu”.
E mesmo quando essa imagem aperta, existe algo nela que parece seu. Questionar isso não é apenas incerteza. É ver desmoronar algo que durante anos você chamou de verdade. A mudança é dolorida por ser também a marca de despedida de quem somos para que se possa abrir caminho para quem desejamos ser.
Desconhecer quem podemos nos tornar é defrontar-se com a incerteza e a imprevisibilidade e por isso, é um movimento que exige coragem e também, um olhar sincero para dentro:
Tem algo em si que você evita olhar de frente?
E quando essa auto-imagem começa a rachar, o que sobra? Quem você verdadeiramente é?
O que morre na mudança não é você. É a imagem que você aprendeu a chamar de você.
Você não precisa se destruir para se transformar. Mas precisa estar disposta a perguntar: Isso é meu, ou foi o que aprendi a ser?
Essa é uma das perguntas mais corajosas que alguém pode fazer a si mesma. E também uma das mais difíceis de sustentar sozinha.
A terapia é o espaço onde essa pergunta pode ser feita sem pressa e sem julgamento. Não para te dar uma resposta sobre quem você deve ser. Mas para te acompanhar enquanto você descobre o que sobra quando o que foi construído começa a cair.
O que você encontraria se tivesse um espaço seguro para olhar para si mesma?
Ana Carolina Faria | Psicóloga, CRP 04/84913 | @re_existirpsi




