
Percebi que, durante muito tempo, também tentei corresponder ao que imaginava que uma psicóloga deveria dizer.
Havia frases bonitas, conceitos importantes e referências que admiro profundamente.
Mas faltava alguma coisa.
Faltava a minha voz.
Talvez seja esse o maior risco das redes sociais: pouco a pouco, começamos a falar como todos falam. Repetimos palavras que já não passam pela nossa experiência.
E, sem perceber, deixamos de habitar aquilo que dizemos.
A fenomenologia e o existencialismo me ensinaram algo que ultrapassa qualquer teoria: não existe uma essência pronta esperando para ser encontrada.
Nós nos construímos na relação com o mundo, com os outros e com as escolhas que fazemos, sempre situados na realidade que nos atravessa.
Isso também vale para mim.
Este perfil não será um lugar de respostas prontas.
Nem de frases escritas apenas para serem compartilhadas.
Quero que seja um espaço onde a teoria encontre a vida.
Onde o conhecimento caminhe ao lado da experiência.
Onde eu possa escrever a partir daquilo que estudo, mas também deixar de habitar um personagem criado por outros.
Se autenticidade existe, talvez ela não esteja em dizer algo inédito.
Talvez esteja em ter a coragem de dizer aquilo que faz sentido para a própria existência.
Psicóloga Renata Acquesta
CRP: 06/232146
*Texto desenvolvido sob as teorias/conceitos) de:
- Simone de Beauvoir (Liberdade Situada);
- Jean-Paul Sartre (Responsabilidade pelas escolhas);
- Merleau-Ponty (o corpo como lugar da experiência);
- Rollo May (A coragem de existir).





