
Muitas pessoas vivem com um cuidado constante para não dar trabalho, não ocupar espaço, não pedir demais. Pensam duas vezes antes de falar, se desculpam por sentir e, aos poucos, vão se silenciando para não incomodar.
Esse medo, geralmente, não surge do nada. Ele costuma ser construído nas primeiras relações da vida, quando, de alguma forma, a pessoa aprendeu que suas necessidades eram excessivas ou vinham na hora errada. Para manter o vínculo, foi preciso se adaptar, se conter, se ajustar ao outro.
Na vida adulta, isso aparece como dificuldade em pedir ajuda, em colocar limites e em expressar o que sente. O desejo de ser acolhida entra em conflito com o medo de ser um peso, e o custo disso pode ser alto: cansaço emocional, ansiedade e sensação de vazio. A terapia é um espaço para olhar para esse medo com cuidado, entender de onde ele veio e construir, aos poucos, uma relação mais amigável consigo mesma, onde existir não seja sinônimo de atrapalhar.
Se esse texto te atravessou, talvez valha se perguntar: quantas vezes você deixou de ser quem é para não incomodar?





