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O medo e a ansiedade em ser LGBTQIAPN: serei amado/a/e pelos meus pais?

Mar 6, 2026

Milena Schmitt Moura

00:00 / 01:04
Psicoterapia

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Assumir a própria sexualidade para os pais é, para muitas pessoas, uma experiência atravessada por ansiedade. Não necessariamente porque exista algo errado com quem a pessoa é, mas porque o vínculo com os pais ocupa um lugar profundamente estruturante na vida psíquica.

 

Desde cedo, aprendemos — muitas vezes de forma implícita — quais comportamentos são esperados de nós. A criança observa, testa, se adapta. Aprende o que agrada, o que decepciona, o que gera aprovação e o que provoca silêncio ou tensão. Assim, pouco a pouco, vai construindo modos de existir que preservem o vínculo com aqueles de quem depende emocionalmente. Por isso, quando a sexualidade parece escapar das expectativas familiares, a situação pode despertar uma ansiedade intensa. Além disso, a criança LGBTQPIAN+, geralmente, tem sua sexualidade negada por toda infância. Não se trata apenas de revelar uma informação pessoal. Para muitos, trata-se da possibilidade de colocar em risco um lugar de pertencimento.


Em muitos casos, a ansiedade não está ligada somente à reação imediata dos pais. Ela toca algo mais profundo: o medo de perder reconhecimento, afeto ou proximidade emocional. Também a fantasia de que há possibilidade de perder o amor. Ainda que racionalmente a pessoa saiba que seus pais podem continuar a amá-la, o psiquismo muitas vezes reage como se houvesse um risco real de ruptura. Isso acontece porque, durante a infância, o vínculo com os cuidadores não é apenas importante — ele é fundamental para a sensação de segurança e existência emocional. Assim, assumir a sexualidade pode mobilizar sentimentos ambivalentes: desejo de ser visto como se é, mas também medo de decepcionar, de provocar sofrimento ou de alterar o equilíbrio das relações familiares.


É comum que esse processo seja acompanhado por ansiedade, culpa e dúvidas. Algumas pessoas se perguntam se estão sendo “egoístas”, se deveriam preservar os pais de um possível desconforto ou se deveriam esperar o “momento certo”.Essas perguntas não significam que exista algo errado com a identidade da pessoa. Elas revelam, muitas vezes, o peso emocional do vínculo familiar e o quanto o reconhecimento dos pais ainda ocupa um lugar importante na vida psíquica.

 

Ao mesmo tempo, esse processo também pode marcar um movimento importante de diferenciação: o momento em que o sujeito começa a sustentar quem é, mesmo quando isso não coincide completamente com as expectativas que existiam sobre ele.


Não existe uma forma única ou correta de lidar com esse momento. Algumas pessoas sentem necessidade de falar abertamente com a família. Outras preferem esperar até se sentirem mais seguras emocionalmente. Há ainda quem construa primeiro outros espaços de pertencimento — amigos, parceiros, comunidades — antes de abordar o tema com os pais.Cada trajetória é singular. O que muitas vezes ajuda nesse processo é encontrar espaços onde a pessoa possa falar sobre suas angústias, dúvidas e medos sem julgamento. Quando a experiência pode ser simbolizada e compartilhada, a ansiedade tende a se tornar mais compreensível e menos paralisante.


Assumir a própria sexualidade para os pais não é apenas um ato de revelação. É, muitas vezes, um movimento de afirmação subjetiva: a possibilidade de existir de forma mais inteira diante daqueles que tiveram — e ainda têm — grande influência em nossa história emocional.

 

Esse caminho pode ser desafiador, especialmente quando o medo de decepcionar ou perder o vínculo aparece. Mas ele também pode abrir espaço para relações mais autênticas, nas quais o afeto não depende da negação de quem se é. Porque, no fundo, o desejo de ser reconhecido pelos pais continua presente — mas, ao longo da vida, também se torna possível construir outras formas de reconhecimento e pertencimento.

 

Se identificou? Venha atravessar esse momento com o apoio psicologico e emocional que você merece.

 

Abraço,

Milena Schmitt Moura | Psicologa Clinica CRP 07/41927

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