
A abordagem de um psi reflete a visão de ser humano que ele carrega. É a lente que escolhemos usar para orientar a escuta e as intervenções. Essa escolha influencia o estilo do psi, mas na prática, a diferença é mais sobre o foco e a lógica interna. Os conceitos, técnicas e objetivos de cada uma dialogam muito, e as áreas mais recentes buscam justamente essa integração dos saberes.
Resumindo bastante, temos:
PSICANÁLISE E PSICODINÂMICA
Foca no simbólico, no que está oculto, na repetição e no inconsciente, geralmente com uma escuta mais livre e aberta.
Nesse campo: Da análise clássica às várias escolas contemporâneas, neuropsicanálise, terapia breve, etc.
*A Psicologia Analítica de Jung também está nesse grupo, mas não é psicanálise.
COGNITIVA E COMPORTAMENTAL (TCCs)
Foca nos aspectos conscientes, padrões automáticos e na aprendizagem, geralmente com uma postura mais diretiva e estruturada.
Nesse campo: Além da TCC clássica e do behaviorismo radical, há a ACT, Terapia do Esquema, entre outras.
HUMANISTA E FENOMENOLOGIA
Foca no fenômeno em si: a experiência pura do sujeito no ‘aqui e agora’, também com uma postura mais livre e não-diretiva.
Nesse campo: Aqui encontramos as terapias existenciais, Gestalt-terapia, Logoterapia, ACP, etc.
- O ponto é que todas elas vão questionar a função do sintoma, investigar o passado e olhar para o agora, cada uma da sua forma.
Alguns exemplos práticos desses diálogos:
A Neuropsicanálise tem demonstrado que a ideia de inconsciente está muito relacionada com o que são os "processos automáticos" da terapia cognitiva.
A Terapia do Esquema (TCC) foi muito influenciada pela psicodinâmica e teoria do apego (também psicanalítica).
O olhar humanista sobre a autenticidade e a busca de sentido tem influenciado a postura de muitas abordagens atuais.
O psicanalista Bion fala de uma “escuta sem memória e sem desejo”, se aproximando da Epoché humanista.





